Carreira

'Ninguém deseja o que não conhece': a lógica da Saint Paul para orientar jovens na carreira

Para José Cláudio Securato, da Saint Paul, jovem só deseja a carreira que consegue enxergar. E quase ninguém a mostra

Publicado em 27 de julho de 2026 às 14h05.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 15h58.

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Boa parte dos adolescentes escolhe o que vai fazer da vida sem nunca ter chegado perto da profissão que diz querer seguir. Quem quer medicina raramente passou um dia dentro de um hospital. Quem fala em administração ou economia quase nunca conversou com um empreendedor ou pisou no mercado financeiro. A decisão, uma das mais importantes da vida, costuma ser tomada no escuro.

É esse abismo entre o que o jovem imagina e o que ele de fato conhece que José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios, aponta como o erro mais comum na largada de uma carreira. "A maior parte das pessoas decide fazer uma graduação de administração ou de economia meio que pelo que ela ouve, meio porque ela acha, uma coisa muito ainda superficial", diz.

O raciocínio está por trás do NextGen Talk, encontro que a escola criou para aproximar estudantes de ensino médio de executivos e empreendedores. A próxima edição, dedicada a economia, acontece em 24 de agosto, no campus da Saint Paul, na Consolação, em São Paulo.

O 'desconhecido desconhecido'

Securato recorre a um conceito de educação para explicar por que tantos jovens travam na escolha. De um lado está o "conhecido conhecido", aquilo que a pessoa sabe que sabe. Um aluno tem aula de química, então sabe que conhece o assunto, goste ou não dele.

O problema mora no outro extremo. "Existe um campo do aprendizado que é o desconhecido desconhecido, que é aquilo que eu não sei que eu não sei. Eu nem sei que eu não sabia isso", afirma. Sem um advogado na família ou um economista por perto, o estudante só consegue imaginar essas profissões pelo que viu em algum filme.

O papel do evento, na leitura dele, é encurtar essa distância. "O nosso papel é tornar coisas que são desconhecidas conhecidas", diz. A aposta é que, ao enxergar um mundo que não conhecia, o jovem passe a desejá-lo.

Só se aprende o que se quer muito

Securato defende que motivação é pré-requisito do aprendizado, não consequência. "Eu só aprendo aquilo que eu quero muito", afirma. É a razão pela qual tantos estudantes acham a escola enfadonha: não veem sentido em física ou biologia porque não conseguem conectar a matéria a nenhum futuro concreto.

Quando esse sentido aparece, a mudança é visível até em casa. Ele conta que pais de alunos relatam uma virada difícil de conseguir de outra forma. Antes, tinham dificuldade de tirar os filhos do celular num almoço de fim de semana. Depois do evento, os adolescentes voltam perguntando sobre o trabalho dos pais, tema que nunca despertara interesse.

Por que economia

A escolha do tema da próxima edição não é aleatória. Para Securato, economia e administração são hoje as duas portas de entrada mais desejadas para o mundo dos negócios, e a primeira abre um território que exerce forte atração sobre a nova geração.

"O programa de economia ele abre a cabeça, ele mostra esse mundo do mercado financeiro e da economia, que são mundos entrelaçados", diz. Trabalhar no mercado financeiro, observa, virou um dos destinos mais buscados por quem ainda está no ensino médio.

Não existe carreira em linha reta

Há um segundo recado, esse dirigido a quem acha que precisa ter tudo decidido aos 17. Depois de quase 25 anos analisando trajetórias, Securato diz ter chegado a uma conclusão. "Não existe padrão. Cada carreira é uma carreira", afirma.

Ele descreve o profissional que não queria empreender, foi trabalhar num banco, passou por uma empresa e só então, no convívio com um amigo, virou empreendedor, usando justamente o que aprendeu no caminho que não havia planejado. "Você conversa com os empreendedores, tem 20 histórias diferentes com 20 possibilidades diferentes", diz.

É por isso que o que ele mais espera da edição de economia não são as respostas dos convidados, e sim as perguntas da plateia. "Ouvir a pergunta de quem tá no ensino médio, de como eles estão descobrindo esse mundo todo da economia, do mercado financeiro, é um negócio fantástico", diz. É ali, afinal, que o desconhecido começa a virar conhecido.

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