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Incêndios desaceleram na Europa, enquanto nova onda de calor ameaça reacender 'nuvem de fogo'

Fogo perde força na França e na Espanha nesta segunda-feira, mas temperaturas de até 40°C nos próximos dias devem agravar o fenômeno extremo que já deslocou mais de 325 mil pessoas

Espanha enfrenta o maior incêndio florestal de sua história recente, com mais de 150 mil hectares devastados pelas chamas desde o início do ano (AFP)

Espanha enfrenta o maior incêndio florestal de sua história recente, com mais de 150 mil hectares devastados pelas chamas desde o início do ano (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 27 de julho de 2026 às 12h53.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 14h30.

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Os incêndios florestais recordes que atingem a França e a Espanha perderam força nesta segunda-feira, 27, mas o alívio deve ser breve.

Autoridades dos dois países correm para estabilizar os focos de fogo antes da chegada de uma nova onda de calor, prevista para elevar as temperaturas a até 40°C a partir de quarta-feira e aumentar o risco climático. 

A preocupação é ainda maior porque, nos dias mais intensos da crise, os incêndios se tornaram fortes o suficiente para gerar seu próprio fenômeno.

São as chamadas "nuvens de fogo", raramente registradas e que tornam as chamas mais difíceis de prever e conter, caso voltem a se intensificar.

"É algo que nunca vimos na França", afirmou Mark Vermeulen, chefe do serviço de bombeiros e resgate da região de Gironde, em coletiva de imprensa no domingo, 26.

Juntos, os dois países já somam mais de 325 mil pessoas deslocadas, entre moradores e turistas, incluindo cerca de 220 mil só em Gironde.

A nuvem de fogo se forma quando o calor das chamas sobe rapidamente para a atmosfera, esfria em altitude e se condensa, dando origem a uma tempestade capaz de produzir chuva, vento e raios próprios.

O problema é que esses raios podem acender novos focos de fogo, e os ventos gerados pela própria nuvem tendem a acelerar o avanço das chamas, criando um ciclo de retroalimentação.

Bombeiros europeus têm pouca experiência lidando com esse tipo de comportamento climático, mais comum nos Estados Unidos e do Canadá e e é justamente esse tipo de combate que o governo está tendo que correr para lidar.

Para a ciência, o padrão observado neste verão do hemisfério norte é um reflexo direto das mudanças climáticas.

Um estudo publicado na última semana já revelou que a seca prolongada e as três ondas de calor consecutivas registradas em junho e julho na Europa criaram condições ideais para a propagação do fogo. A queima de combustíveis fósseis é apontada como a principal causa para intensificar esse tipo de evento extremo.

O cenário preocupa toda a Europa para além dos dois países mais afetados. A União Europeia monitora também o risco de incêndios em Portugal, Grécia e Alemanha, com expectativa de que a temporada se estenda até novembro.

Segundo estimativas oficiais, a área pode superar os 1 milhão de hectares queimados no continente em 2025.

Próximos dias decisivos para o combate às chamas 

Na Espanha, dezenas de milhares de pessoas têm esperança de voltar em breve para casa, ou para o que restou dela, nas imediações de Madri.

Os incêndios "reduziram o avanço" durante a madrugada de segunda-feira, informou a delegação do governo espanhol, que advertiu, no entanto, que o fogo "segue ativo e sem estar estabilizado".

A janela de oportunidade é curta: a nova onda de calor deve durar pelo menos até domingo e a agência meteorológica AEMET alertou que o risco deve aumentar "a níveis extremos, dificultando ainda mais os trabalhos de combate". 

Na França, o cenário é semelhante. "Temos menos focos ativos do que ontem. As condições meteorológicas são favoráveis, com menos vento", disse à AFP Wilfried Schneider, porta-voz do serviço de bombeiros.

Ainda assim, ele destacou que não é possível dizer que o incêndio está estabilizado. "Estabilizamos uma situação que era completamente instável, mas ainda não temos o fogo sob controle."

A chuva leve desta manhã deu "um respiro" aos bombeiros, mas a trégua deve ser curta. "Estão reunidas todas as condições para uma reativação do incêndio", afirmou à AFP Philippe de Gonneville, prefeito de Lège-Cap Ferret, um dos municípios atingidos.

Diante do temor de uma nova escalada, o presidente Emmanuel Macron convocou uma reunião de crise do governo para coordenar a resposta.

Para conter o avanço das chamas, a França mobilizou quase 4 mil bombeiros em Gironde, com apoio de militares e equipamentos do Exército. A União Europeia coordenou, por meio de seu mecanismo de assistência emergencial, o envio de aeronaves da Grécia, Itália e Turquia para a Espanha, além de helicópteros da Suíça e recursos adicionais para a França.

Já Portugal enviou mais de cem militares e dezenas de veículos para apoiar as operações espanholas.

Ainda assim, um representante da UE ponderou que ampliar o envio de aeronaves não é uma solução simples: "Nem sempre se trata de enviar mais 10 aviões. Eles precisam ser adequados aos cenários locais", destacou.

Diante da magnitude do fenomêno, moradores da região também se mobilizaram: agricultores têm usado seus próprios tratores para ajudar os bombeiros, enquanto pessoas abrem as portas de casa para abrigar quem perdeu a moradia.

Onde o fogo mais avança

A Espanha enfrenta o que suas próprias autoridades classificam como o maior incêndio florestal de sua história recente, com cerca de 77 mil hectares queimados, a maior parte concentrada na província de Ávila, a noroeste de Madri.

Na França, o fogo teve início na quarta-feira passada perto de Saumos, na região de Gironde, e já consumiu 42 mil hectares, área quatro vezes maior que a cidade de Paris. O incêndio destruiu 240 residências e deixou 84 bombeiros feridos, embora nenhuma vítima civil tenha sido registrada até o momento.

Mas a crise não se resume a um único foco. Ao sul de Bordeaux, na altura de Biscarrosse, outro incêndio devastou 3.600 hectares e forçou a fuga de 30 mil pessoas, das quais 8 mil já puderam retornar para casa.

*Com informações de agências internacionais 

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