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IPI zero e revisão de tributos: as propostas de Lula na economia

Ministro Dario Durigan defendeu estratégia econômica que pretende adotar no próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, caso esse seja eleito presidente mais uma vez

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 29 de agosto de 2026 às 07h00.

Última atualização em 29 de agosto de 2026 às 10h11.

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, representou a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Painel 3 — "Competitividade nos planos do governo: debate com coordenadores das campanhas à Presidência da República", apresentado no evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate.

O evento foi realizado na terça-feira, 25, em São Paulo, promovido pela EXAME em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC).

O painel reuniu representantes das campanhas presidenciais dos cinco candidatos à presidente da República em 2026 mais bem posicionados na pesquisa, sendo; Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.

A conversa foi dividida em três blocos temáticos:

  • ajuste fiscal;
  • produtividade e competitividade;
  • reforma administrativa
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O que disse Dario Durigan?

Como representante do governo em exercício, para falar sobre ajuste fiscal Durigan optou por defender a continuidade da estratégia adotada nos últimos três anos e meio, citando a melhora nas notas do país junto às agências de risco em relação à gestão anterior.

O ministro destacou a aprovação de cerca de 70 a 80 proposições no Congresso, incluindo o arcabouço fiscal e medidas de corte de gastos no fim de 2024, além da revisão de distorções tributárias como a taxação de fundos exclusivos, fundos fechados e apostas esportivas (bets), que antes operavam com tributação zero.

Durigan também anunciou que o governo trabalha neste ano em uma revisão de 10% dos benefícios tributários infraconstitucionais, com potencial de arrecadação adicional de R$ 20 bilhões a partir de um universo de R$ 200 bilhões em gasto tributário.

Nesse bloco, o ministro anunciou que o governo prepara um decreto para zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), medida associada à implementação da reforma tributária.

De acordo com Durigan, a indústria deixará de acumular créditos como faz hoje, e o tributo passará a ser cobrado "por fora", tornando mais transparente para o consumidor o quanto está pagando de imposto assim como nos moldes do IVA praticado em outras economias.

Durigan ainda classificou a reforma tributária como a "melhor resposta" do país à baixa produtividade após décadas de discussão, e defendeu o split payment como mecanismo de combate à sonegação.

O ministro também citou a ampliação do ensino médio profissionalizante, o aumento no número de universidades e institutos federais desde 2003 e programas de crédito para empreendedores, como o EcoInvest e o Fundo Clima, como parte da agenda de produtividade.

Sobre pejotização, disse que a prática é bem-vinda quando reflete empreendedorismo genuíno, mas que o uso da contratação como PJ para driblar encargos previdenciários configura abuso que precisa ser corrigido.

 No terceiro bloco, Durigan defendeu o combate a privilégios no serviço público — citando o chamado "supersalário" no Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas — e destacou iniciativas já em curso, como o concurso público unificado, a central de serviços compartilhados do governo federal e a securitização da dívida ativa dos estados.

Reafirmou o compromisso com a transformação digital do Estado, incluindo o uso de inteligência artificial para simplificar obrigações acessórias, como a declaração de Imposto de Renda.

Também defendeu mudanças na regulamentação do sistema financeiro para evitar novos episódios como os das instituições Master e Reag, além de aprimoramentos na lei de falências e recuperação judicial.

Ao encerrar sua participação, o ministro listou três prioridades para um eventual novo mandato: respeito institucional entre os Poderes, combate ao crime organizado com uso de inteligência financeira e a "milha final" do ajuste fiscal, incluindo a trajetória da taxa de juros.

Quem é Dario Durigan?

Dario Carnevalli Durigan, 42 anos, nasceu em Bebedouro, interior de São Paulo. É advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB).

Assumiu o Ministério da Fazenda em março de 2026, no lugar de Fernando Haddad, que deixou o cargo para concorrer ao governo de São Paulo.

Antes de chefiar a pasta, Durigan foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda entre 2023 e 2026, posição em que ficou conhecido nos bastidores como o "CEO" da Fazenda, por coordenar a engrenagem interna do ministério e a execução das políticas fiscais e econômicas do governo Lula.

Dario Durigan, atual ministro da Fazenda, é um dos nomes mais importantes da campanha de Lula à reeleição (Washington Costa/Ministério da Fazenda/Divulgação)

Também presidiu o Conselho de Administração do Banco do Brasil e integrou o Conselho Fiscal da Vale.

Sua trajetória no serviço público remonta à gestão de Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016, quando atuou no assessoramento estratégico e na interlocução com a Câmara Municipal.

Passou ainda pela Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff e teve duas passagens pela Advocacia-Geral da União, sendo membro fundador do Núcleo de Arbitragem do órgão.

Considerado uma das principais pontes do governo federal com o Congresso Nacional, Durigan tem atuado como representante da candidatura de Lula à reeleição em debates e entrevistas sobre a agenda econômica .

Este papel que já rendeu questionamentos da campanha de Flávio Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os limites entre sua atuação como ministro e como porta-voz econômico da campanha.

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