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Haddad lança candidatura ao Governo de São Paulo com críticas à gestão Tarcísio

Ao lado de Lula, Alckmin e aliados, petista defende 'restituir São Paulo aos paulistas', critica privatizações, segurança, educação e crescimento econômico do estado

Ex-ministro da Fazenda concentrou discurso em ataques às privatizações, à segurança pública e ao desempenho econômico do estado (Divulgação)

Ex-ministro da Fazenda concentrou discurso em ataques às privatizações, à segurança pública e ao desempenho econômico do estado (Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 25 de julho de 2026 às 14h37.

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Fernando Haddad lançou oficialmente sua candidatura ao Governo de São Paulo neste sábado, 25, em Campinas, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de outras lideranças do campo progressista.

Em discurso, o ex-prefeito de São Paulo e recém saído do Ministério da Fazenda classificou a disputa eleitoral de outubro como um esforço para "recuperar e restituir São Paulo para os paulistas" e listou uma série de críticas à gestão do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Haddad começou relembrando o contexto que levou à derrota de Jair Bolsonaro em 2022, citando "mais de 700 mil mortes" durante a pandemia e afirmando que o Brasil, com 2% da população mundial, chegou a responder por "mais de 10% das mortes de Covid" no período. "A economia estava em frangalhos, as contas públicas, em frangalhos, o salário mínimo não crescia havia sete anos", disse.

Segundo ele, o governo Lula reverteu esse cenário: o país registra hoje a menor taxa de desemprego da série histórica, a menor inflação acumulada em quatro anos e o maior crescimento médio desde 2010.

O candidato afirmou ainda que a atual gestão federal ampliou em mais de R$ 100 bilhões os orçamentos da saúde e da educação, mencionando os ministros Alexandre Padilha e Camilo Santana como responsáveis por "resgatar a dignidade" dessas áreas.

Economia, educação e segurança em SP

Ao voltar o discurso para São Paulo, Haddad citou dado publicado na véspera segundo o qual a economia no estado cresceu 0,4% nos últimos doze meses, "contra 2% da média nacional e 5% do estado do Rio de Janeiro". "Não é possível manter esse estado altivo, com esperança de um futuro melhor, com essa taxa de crescimento", disse o pré-candidato.

Na educação, Haddad disse que a alfabetização de crianças na idade certa em São Paulo está "abaixo da média nacional", assim como o ensino médio integral, e que o estado estaria perdendo em qualidade para estados do Nordeste com menos recursos por aluno.

Sobre segurança pública, afirmou que "20% de todos os celulares roubados no país são roubados na cidade de São Paulo" e que o comando da Polícia Militar, após a nomeação do atual comandante-geral por Tarcísio, estaria "contaminado pelo crime organizado". "E [Tarcísio] cobra do presidente Lula providências que ele mesmo não toma sobre o estado de São Paulo. Essa é a realidade do nosso estado. E nós vamos ter que dizer um sonoro 'não' pra esse governo", afirmou.

Privatizações e corrupção

Haddad também criticou as privatizações da Sabesp, do Metrô e da CPTM, dizendo que foram "feitas a toque de caixa" e entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. "A água tá faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta da água tá subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu – que, com a privatização, a conta de água iria cair", disse.

Ele afirmou ainda que a Secretaria da Fazenda estadual está "totalmente contaminada por corrupção", citando reportagens sobre auditores fiscais afastados por determinação do Ministério Público.

"O governador não emite uma única opinião sobre o que está acontecendo e nem anuncia uma única providência", declarou.

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Crise hídrica, enchentes e feminicídio

O candidato mencionou a crise hídrica de 2024 e as enchentes recentes em Ribeirão Preto, dizendo que o governo estadual cortou "verba de combate a enchentes".

Também citou dados sobre feminicídio, afirmando que o índice "caiu 2,5% no Brasil e aumentou 10% em São Paulo". Haddad apontou aumento de 82% na população em situação de rua, segundo dados atribuídos à Fundação Seade.

Chapa progressista em São Paulo

Haddad voltou a defender a chapa formada com Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França, com foco no senado em São Paulo, com o apoio de Lula e Alckmin. "Nós temos que resgatar o nosso estado", disse, ao encerrar o discurso convocando apoio à candidatura para outubro.

Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, discursou na sequência e associou o embate estadual às tensões da eleição nacional de 2022. "Não podemos nos enganar: 2022 não passou. Nós estamos no ano de 2026, enfrentando os mesmos desafios do passado", disse a candidata ao Senado, que também criticou a ineficiência de concessões públicas recentes, caso do serviço de água prestado pela Sabesp privatizada.

Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, tratou da defesa da soberania nacional e das estruturas democráticas e criticou a mercantilização de serviços básicos: "o que é básico está sendo tratado como mercadoria. A água não é mercadoria", disse.

A candidata também apontou o que classificou como abandono do governo estadual em relação aos professores, com o uso de plataformas digitais no ensino que, segundo ela, não deveria substituir o papel dos docentes.

Márcio França destacou a paridade de gênero da chapa — dois homens e duas mulheres nas candidaturas majoritárias —, em contraste com a formação da chapa adversária, integrada exclusivamente por homens. O candidato a vice-governador também criticou a trajetória política de Tarcísio, classificando-o como "ingrato" em relação a alianças que o ajudaram a se eleger.

O vice-presidente Geraldo Alckmin concentrou seu discurso na crítica técnica às privatizações de infraestrutura no estado. Segundo ele, a venda da Sabesp ocorreu abaixo do valor real de mercado, e as concessões do metrô e dos trens metropolitanos têm resultado em colapsos operacionais recorrentes.

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