Ciência

Tempestade devastadora elimina parte de espécie à beira da extinção

Deslizamentos provocados por chuvas extremas em Sumatra mataram cerca de 58 orangotangos-de-Tapanuli e destruíram parte de seu habitat

Orangotango-de-Tapanuli: espécie perdeu cerca de 7% da população após ciclone em Sumatra (Anup Shah/Thinkstock)

Orangotango-de-Tapanuli: espécie perdeu cerca de 7% da população após ciclone em Sumatra (Anup Shah/Thinkstock)

Publicado em 21 de junho de 2026 às 09h11.

Um único evento climático extremo foi suficiente para eliminar 7% de toda a população selvagem do orangotango-de-Tapanuli, considerado o grande primata mais ameaçado de extinção do planeta. O desastre ocorreu após a passagem do ciclone Senyar por Sumatra, na Indonésia, em novembro do ano passado.

Os resultados foram publicados na revista científica Current Biology e reforçam os alertas sobre os impactos que eventos climáticos extremos podem ter sobre espécies já ameaçadas de extinção.

Ciclone que matou dezenas de orangotangos

Com uma população estimada em apenas 800 indivíduos vivendo na natureza, o orangotango-de-Tapanuli ocupa uma área restrita do ecossistema de Batang Toru, uma região montanhosa coberta por floresta tropical no norte de Sumatra.

Entre os dias 23 e 28 de novembro de 2025, o ciclone Senyar provocou chuvas excepcionais na região. Em algumas áreas, o volume acumulado ultrapassou 1.000 milímetros em poucos dias.

As precipitações desencadearam dezenas de deslizamentos de terra em encostas íngremes. A partir da análise de imagens de satélite e dados populacionais, os pesquisadores estimaram que aproximadamente 58 orangotangos morreram durante o desastre.

Segundo o estudo, as mortes representam cerca de 11% da população local e aproximadamente 7% de todos os orangotangos-de-Tapanuli existentes na natureza.

Habitat também foi severamente afetado

Além da perda direta de animais, os deslizamentos destruíram cerca de 8.300 hectares de floresta. Os pesquisadores calcularam que a área afetada corresponde a aproximadamente 11,7% da cobertura florestal do bloco oeste de Batang Toru, uma das regiões mais importantes para a sobrevivência da espécie.

A destruição do habitat pode dificultar ainda mais a recuperação populacional dos orangotangos nos próximos anos, já que a espécie depende de extensas áreas de floresta para alimentação, deslocamento e reprodução.

Mudanças climáticas aumentaram intensidade das chuvas

Os cientistas também investigaram qual foi a influência das mudanças climáticas sobre o evento extremo. Utilizando técnicas de atribuição climática, a equipe concluiu que o aquecimento global causado pelas atividades humanas aumentou em cerca de 50% a intensidade das chuvas associadas ao ciclone Senyar.

Segundo os autores, esse resultado indica que eventos semelhantes podem se tornar mais frequentes ou mais severos em regiões vulneráveis a deslizamentos de terra.

Espécie enfrenta risco crescente

Os pesquisadores destacam que o orangotango-de-Tapanuli já enfrenta diversas ameaças, incluindo a perda de habitat, conflitos com atividades humanas e a fragmentação das florestas.

Após o desastre, o governo da Indonésia suspendeu temporariamente projetos de mineração, expansão de plantações de palma de óleo e empreendimentos hidrelétricos na região de Batang Toru. Os cientistas afirmam que a medida cria uma oportunidade para fortalecer ações de conservação e incorporar avaliações de risco climático ao planejamento territorial.

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