Ciência

O que museus, músicas e hobbies têm a ver com viver mais? Ciência responde

Frequentar shows, museus, ler, cantar ou dançar pode ter impacto direto no corpo, segundo pesquisadores britânicos

Hobbies: O que museus, música e hobbies têm a ver com viver mais? (	seksan Mongkhonkhamsao/Getty Images)

Hobbies: O que museus, música e hobbies têm a ver com viver mais? ( seksan Mongkhonkhamsao/Getty Images)

Publicado em 16 de maio de 2026 às 06h11.

Fazer mais daquilo que realmente dá prazer pode ajudar o corpo a envelhecer mais devagar. É o que aponta um novo estudo da University College London, no Reino Unido, publicado na revista científica Innovation in Aging.

Cultura tem impacto no envelhecimento

A pesquisa analisou dados de 3.556 adultos britânicos e descobriu que pessoas que mantêm uma rotina frequente de atividades culturais e criativas apresentam sinais de envelhecimento biológico mais lento. Entre os hábitos observados estavam ouvir música, cantar, dançar, pintar, ler, frequentar museus, exposições e shows.

Os cientistas utilizaram exames de sangue e relógios epigenéticos, ferramentas que medem alterações no DNA relacionadas ao envelhecimento do organismo. Segundo o estudo, quem se envolvia semanalmente com atividades artísticas tinha um ritmo de envelhecimento até 4% mais lento em comparação com pessoas que raramente participavam dessas experiências.

A professora Daisy Fancourt, autora principal da pesquisa, afirmou que os resultados mostram impactos reais da arte no corpo humano. “Encontramos neste estudo que o engajamento com as artes estava relacionado a taxas de envelhecimento 4% mais lentas, o que significa que as pessoas eram biologicamente cerca de um ano mais jovens quando participavam regularmente dessas atividades”, declarou a pesquisadora.

Outro autor do estudo, o pesquisador Feifei Bu, afirmou que os resultados ajudam a ampliar a visão sobre saúde e qualidade de vida. “Nosso estudo fornece a primeira evidência de que o engajamento artístico e cultural está ligado a um ritmo mais lento de envelhecimento biológico”, disse.

Atividades culturais são tão importantes quanto se exercitar

Os pesquisadores destacam que os efeitos positivos foram comparáveis aos benefícios observados em pessoas que praticam atividade física regularmente. Além disso, os impactos permaneceram mesmo após ajustes envolvendo renda, escolaridade, tabagismo e índice de massa corporal.

Segundo os cientistas, ainda não é possível afirmar uma relação direta de causa e efeito, mas existem hipóteses fortes para explicar os resultados. Atividades prazerosas tendem a reduzir estresse crônico, inflamações e riscos cardiovasculares, fatores diretamente ligados ao envelhecimento celular.

O estudo também reforça uma discussão crescente na ciência sobre envelhecimento saudável. Nos últimos anos, pesquisas passaram a analisar não apenas alimentação e exercícios físicos, mas também fatores emocionais, sociais e culturais como elementos importantes para a longevidade.

A pesquisa sugere algo raro em estudos sobre saúde: envelhecer melhor talvez não dependa apenas de disciplina ou restrições. Frequentemente, pode começar justamente no oposto disso, reservando tempo para aquilo que faz a vida parecer mais viva.

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