Gatos: anatomia e reflexos ajudam os animais a reduzir o impacto de quedas (Freepik)
Redatora
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 11h20.
Os gatos conseguem realizar uma manobra impressionante durante uma queda. Em poucos instantes, podem girar o corpo no ar, direcionar as patas para o chão e assumir uma posição que ajuda a reduzir o impacto. Essa combinação ajuda a explicar por que alguns felinos sobrevivem mesmo após cair de grandes alturas.
Uma delas é o chamado reflexo de endireitamento, uma resposta que permite ao animal identificar sua posição no ar e reorganizar o corpo antes de atingir o chão. Já a síndrome do gato paraquedista tem outro significado. O termo é usado na medicina veterinária para descrever o conjunto de lesões sofridas por gatos após quedas de locais elevados, sobretudo prédios.
Para as conclusões, um estudo publicado em 1987 no Journal of the American Veterinary Medical Association analisou 132 gatos atendidos após quedas em Nova York. Entre os animais levados à clínica veterinária, 90% sobreviveram, embora muitos tenham apresentado diferentes tipos de lesões.
Parte dessa habilidade começa no sistema vestibular, localizado no ouvido interno e responsável pelo equilíbrio e pela percepção da posição do corpo.
Quando o gato começa a cair, esse sistema ajuda a identificar sua orientação em relação ao chão. O animal então aciona o reflexo de endireitamento. Primeiro, gira a cabeça. Depois, movimenta o restante do corpo até direcionar as patas para o solo.
A anatomia dos felinos facilita essa manobra. A coluna vertebral flexível permite que diferentes partes do corpo façam movimentos de rotação durante a queda.
Depois de se orientar no ar, o gato pode abrir as patas e espalhar o corpo horizontalmente. Essa postura aumenta a superfície exposta e, consequentemente, a resistência do ar. O efeito funciona como uma espécie de freio e lembra a ação de um pequeno paraquedas.
O tamanho e a massa corporal também influenciam o impacto. Em queda livre, gatos podem atingir velocidades próximas de 100 km/h, abaixo das alcançadas pelo corpo humano em situação semelhante.
Ao chegar ao chão, as patas também ajudam a distribuir parte da força do impacto. Isso não significa, porém, que o animal saia ileso. Quedas podem provocar diferentes traumas, inclusive lesões no tórax e no abdômen.
A relação entre a altura da queda e a gravidade das lesões é uma das características mais curiosas associadas à síndrome do gato paraquedista. Em distâncias muito curtas, o animal pode atingir o chão antes de completar os movimentos necessários para orientar o corpo.
Uma distância maior oferece mais tempo para acionar o reflexo de endireitamento, direcionar as patas e assumir uma postura que aumenta a resistência do ar.
O estudo, por sua vez, ajudou a chamar atenção para a observação de que a gravidade das lesões não necessariamente aumenta de maneira proporcional à altura.
Isso, porém, não significa que cair de lugares mais altos seja mais seguro. Os casos analisados incluíam gatos levados para atendimento veterinário, o que limita as conclusões sobre todos os animais que sofreram esse tipo de acidente.
Apesar do nome, a síndrome do gato paraquedista não é a capacidade de cair de pé. O termo descreve os traumas sofridos por gatos após quedas de locais elevados.
A gravidade pode variar conforme fatores como altura, idade, condições de saúde e características do acidente. O reflexo de endireitamento e características da anatomia dos gatos ajudam a reduzir o impacto da queda, mas não impedem ferimentos graves.
Por isso, essa capacidade não torna janelas e sacadas seguras para os animais. Em apartamentos, telas de proteção são importantes para prevenir quedas.