Gatos: estudo encontrou semelhanças genéticas entre câncer felino e humano (Nils Jacobi/Getty Images)
Repórter
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 18h45.
Como será que foi o primeiro contato entre os seres humanos e os gatos? E a adaptação dos felinos ao longo dos séculos?
Uma pesquisa liderada pelo biólogo Kevin Parsons, da Universidade de Glasgow, oferece uma das evidências mais claras desse processo de relacionamento.
Em 2020, a equipe comparou crânios de raposas-vermelhas que vivem em áreas urbanas de Londres com os de animais da zona rural vizinha e encontrou diferenças consistentes entre os dois grupos.
Segundo reportagem publicada pelo site The Conversation, as raposas urbanas apresentavam focinhos mais curtos e largos e caixas cranianas menores, região do crânio que abriga o cérebro. Alterações semelhantes costumam ser observadas em processos de domesticação. Os pesquisadores sugerem que o ambiente urbano favorece indivíduos menos avessos à presença humana e mais aptos a explorar alimentos e abrigos disponíveis nas cidades.
Em comparação com os cães, os gatos costumam ser considerados menos domesticados. Enquanto os cães passaram por séculos de seleção para desempenhar funções específicas, como pastoreio, proteção e caça, os gatos seguiram uma trajetória distinta.
De acordo com reportagem do The Conversation, acredita-se que eles tenham se aproximado das comunidades agrícolas atraídos pelos roedores que infestavam os primeiros estoques de grãos. Em vez de serem criados seletivamente pelos humanos, passaram a viver ao nosso lado porque essa relação lhes trazia vantagens.
Parte desse sucesso está ligada à capacidade de adaptação dos felinos. Diferentemente de muitas espécies, eles conseguem ajustar o comportamento de acordo com as condições do ambiente.
Em locais onde o alimento é escasso, tendem a viver sozinhos e a defender territórios próprios. Já em áreas com abundância de recursos, especialmente próximas aos humanos, conseguem tolerar a presença de outros gatos e formar grupos sociais estáveis. Alguns pesquisadores defendem, inclusive, que os felinos desenvolveram primeiro a tolerância entre indivíduos da mesma espécie antes de transferir essa capacidade para a convivência com pessoas.
A genética desempenha papel importante nesse processo, mas a experiência também é determinante. Filhotes que mantêm interações positivas frequentes com humanos entre a segunda e a sétima semana de vida têm maior probabilidade de se tornarem adultos confiantes e sociáveis, segundo o The Conversation.
Isso sugere que a capacidade de estabelecer vínculos próximos com pessoas existe nos gatos há muito tempo e pode ser expressa sempre que as condições são favoráveis. Sob essa perspectiva, a principal transformação talvez não tenha ocorrido nos animais, mas na forma como os humanos passaram a se relacionar com eles.