Gatos: pesquisadores explicam como os gatos conseguem girar o corpo no ar e alinhar as patas antes de tocar o chão (Altan Gocher/NurPhoto/Getty Images)
Redatora
Publicado em 7 de março de 2026 às 06h23.
Os gatos são conhecidos pela capacidade de se contorcer no ar e aterrissar em pé, mesmo quando caem de cabeça para baixo. Um novo estudo aponta que esse movimento está ligado a uma região específica da coluna vertebral extremamente flexível, que permite ao animal girar o corpo durante a queda.
A pesquisa, publicada na revista científica The Anatomical Record, indica que os gatos conseguem rotacionar a parte frontal e traseira do corpo separadamente, ajustando rapidamente a posição antes de tocar o chão.
Segundo pesquisadores da Universidade de Yamaguchi, no Japão, a chave desse movimento está na coluna torácica, localizada na região central das costas.
Os cientistas compararam a flexibilidade da coluna torácica com a da coluna lombar, situada na parte inferior do corpo, e descobriram que a parte central das costas do animal pode girar até três vezes mais. Essa mobilidade extra permite que os gatos torçam o corpo no ar e reorganizem sua posição durante a queda.
Há mais de um século, cientistas tentam entender como os gatos conseguem se orientar no ar. Três hipóteses principais foram propostas ao longo do tempo. Uma delas sugeria que a cauda funcionaria como uma espécie de hélice, ajudando o animal a girar o corpo. No entanto, estudos mostram que mesmo gatos sem cauda ainda conseguem se virar durante a queda.
Outra teoria defendia que o gato dobraria o corpo formando quase um ângulo reto, girando simultaneamente as partes dianteira e traseira.
A hipótese mais aceita atualmente descreve um movimento sequencial: primeiro o gato gira a parte frontal do corpo, depois ajusta a parte traseira, em um processo conhecido como “enrolar e girar”.
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores realizaram dois tipos de experimentos: primeiro, analisaram a flexibilidade da coluna vertebral de cinco gatos mortos, medindo quanto cada região podia girar sem sofrer danos. Em seguida, a equipe filmou dois gatos adultos sendo soltos de uma altura de um metro, registrando os movimentos com câmeras de alta velocidade.
As imagens mostraram que os animais terminavam de girar a parte frontal do corpo alguns milissegundos antes da parte traseira, confirmando o movimento sequencial descrito pelos cientistas.
Os pesquisadores também observaram um detalhe curioso: nos testes realizados, os gatos tendiam a girar mais frequentemente para o lado direito durante a queda.
Ainda não está claro por que isso acontece. Uma hipótese é que assimetrias internas do corpo, como a posição dos órgãos, possam influenciar a direção do movimento. Para os cientistas, os resultados reforçam que o movimento é resultado de uma combinação complexa de fatores biomecânicos.
A capacidade dos gatos de se endireitar durante uma queda continua sendo um dos exemplos mais fascinantes da biomecânica animal. Segundo os pesquisadores, o comportamento envolve flexibilidade da coluna, controle muscular preciso e movimentos coordenados das patas, permitindo que os animais realizem ajustes rápidos mesmo em queda livre.