Ciência

O que o DNA diz sobre sua personalidade? Estudo encontra 1.260 variantes

Pesquisa analisou mais de 1 milhão de genomas para investigar as bases genéticas dos principais traços que diferenciam o comportamento humano

DNA: pesquisadores analisaram mais de 1 milhão de genomas para investigar a influência genética sobre diferentes traços de personalidade (	RUSLANAS BARANAUSKAS/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

DNA: pesquisadores analisaram mais de 1 milhão de genomas para investigar a influência genética sobre diferentes traços de personalidade ( RUSLANAS BARANAUSKAS/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 10h00.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreDNA
Saiba mais

Ser mais extrovertido, organizado ou emocionalmente instável pode ter milhares de pequenas conexões com o DNA. Uma análise de mais de 1 milhão de genomas identificou 1.260 variantes genéticas associadas à personalidade, quase dois terços delas desconhecidas até então.

As descobertas foram publicadas na revista Nature e reforçam que características individuais não dependem de alguns genes específicos. As diferenças genéticas comuns identificadas explicam apenas cerca de 5% a 10% da variação de personalidade entre as pessoas.

Para chegar aos resultados, um consórcio de pesquisadores reuniu dados de 46 grupos de participantes e analisou cerca de 10 milhões de variantes genéticas. O estudo também comparou milhares de irmãos e pares formados por pais e filhos para reduzir a influência de outros fatores sobre os resultados.

Cinco traços de personalidade foram analisados

A pesquisa investigou os chamados Cinco Grandes traços da personalidade: extroversão, agradabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura à experiência. Cada característica existe em um espectro e tende a permanecer relativamente estável durante a vida adulta.

Entre os resultados, os pesquisadores encontraram 258 variantes relacionadas à extroversão, número 15 vezes maior que o conhecido anteriormente.

O perfil genético associado a maior extroversão também apareceu relacionado a menor risco de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Ao mesmo tempo, houve associação com condições como o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

As relações são estatísticas e não significam que a extroversão provoque ou proteja contra essas condições.

Organização também foi associada a hábitos cotidianos

A conscienciosidade, ligada a características como organização e produtividade, apresentou relações com diferentes comportamentos.

Pessoas com maior predisposição genética para esse traço mostraram maior tendência a praticar exercícios, escolher alimentos com menos calorias e dormir bem.

Os escores genéticos também ajudaram a prever quais participantes deixariam centros urbanos e se mudariam para subúrbios mais ricos até os 50 anos.

Neuroticismo foi ligado à saúde mental

O neuroticismo, caracterizado pela tendência à instabilidade emocional, apresentou correlação com dez transtornos psiquiátricos, além de índice de massa corporal mais elevado e maiores taxas de tabagismo.

As variantes associadas ao traço estavam especialmente ativas nas células cerebrais. A análise, porém, não revelou uma relação pronunciada especificamente com o sistema de serotonina.

O resultado levanta questões sobre a teoria de que o neuroticismo seria impulsionado principalmente por diferenças nos níveis dessa substância. Dalton Conley, sociólogo da Universidade Princeton que não participou da pesquisa, afirmou que a descoberta não descarta essa hipótese, mas lança dúvidas sobre ela.

Genes e ambiente interagem na personalidade

Os pesquisadores alertam que a influência dos genes e do ambiente não pode ser dividida em porcentagens independentes. O DNA e as experiências interagem ao longo da vida e podem influenciar a maneira como diferentes predisposições se manifestam.

Ao comparar integrantes das mesmas famílias, a equipe estimou que cerca de 96% da influência genética detectada sobre a personalidade vinha diretamente do DNA, e não de fatores familiares que poderiam confundir a análise.

Outra descoberta apareceu entre os casais. Diferentemente do observado em características como escolaridade, os parceiros praticamente não apresentaram predisposições genéticas semelhantes para personalidade.

As personalidades observadas dos cônjuges, porém, mostraram algumas semelhanças, sobretudo na abertura à experiência. Com o novo conjunto de dados, os cientistas poderão investigar com mais precisão como predisposições relacionadas à personalidade se conectam à saúde, aos relacionamentos, ao trabalho e à educação.

Acompanhe tudo sobre:ComportamentoDNAPesquisas científicas

Mais de Ciência

Voo da SpaceX com primeira comandante negra bate recorde nos EUA

Com 1,4 toneladas, telescópio da Nasa pode cair na Terra após missão de resgate fracassar

Pela primeira vez, astrônomos detectam sinal de rádio de planeta a 63 anos-luz

'Foram dias muito difíceis. É uma doença avassaladora', diz viúva de Lito Sousa