Ciência

O que é pentobarbital? Entenda por que a droga falhou em execução de mulher no corredor da morte

Christa Gail Pike recebeu duas doses do medicamento durante execução no Tennessee, nos Estados Unidos, mas continuou respirando e foi levada a um hospital

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 12h03.

Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 12h18.

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Christa Gail Pike, condenada por assassinato, sobreviveu a uma tentativa de execução nesta quarta-feira, 30, no Tennessee, nos Estados Unidos. Segundo seus advogados, Pike recebeu duas doses de pentobarbital, mas continuou respirando e foi levada a um hospital. O governador Bill Lee abriu uma investigação independente e suspendeu as execuções no estado até o fim do ano.

Christa Gail Pike, condenada à pena de morte por assassinato, permaneceu viva após uma tentativa de execução nesta quarta-feira, 30, no Tennessee, nos Estados Unidos. De acordo com seus advogados, ela recebeu duas doses de pentobarbital, barbitúrico que, em altas concentrações, pode levar ao coma e interromper a respiração e os batimentos cardíacos. Pike, porém, continuou respirando e foi encaminhada a um hospital.

Aos 50 anos, Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de dois séculos. A condenação ocorreu pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em Knoxville, em 1995. Pike tinha 18 anos na época do crime.

O procedimento estava previsto para as 10h, mas foi suspenso por um tribunal de apelações cerca de uma hora antes. Mais tarde, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão que havia interrompido a execução, que teve início durante a noite. A aplicação dos medicamentos, no entanto, não resultou na morte da condenada.

O que é o pentobarbital e como a substância age no organismo

O pentobarbital integra a classe dos barbitúricos, medicamentos desenvolvidos no fim do século 19. A substância tem ação sedativa de curta duração e foi utilizada durante décadas como anestésico, indutor do sono e medicamento para o controle de convulsões.

O uso desses medicamentos acabou restringido, e os barbitúricos foram substituídos em diferentes aplicações pelos benzodiazepínicos, diante de riscos associados às substâncias, entre eles o desenvolvimento de dependência.

Os barbitúricos atuam como depressores do sistema nervoso central, o que reduz a atividade de diferentes funções cerebrais. Os efeitos variam conforme a quantidade administrada. Em doses menores, podem produzir sedação e controlar convulsões. O aumento da dose pode provocar sono e, posteriormente, anestesia.

Em concentrações mais altas, como as utilizadas em procedimentos de eutanásia e execuções, a substância pode interromper funções necessárias para manter o organismo vivo, entre elas a respiração e a circulação. A interrupção dessas funções pode provocar a morte.

Esse era o efeito esperado durante a execução de Pike. John North, jornalista da WBIR, emissora afiliada à NBC News, relatou que esperava observar intervalos progressivamente maiores entre as respirações até que elas cessassem.

Quando as persianas da sala de execução foram fechadas pela segunda vez, às 20h05, Pike ainda respirava. Em alguns momentos, segundo o relato, ela também roncava.

"A respiração dela não estava bem. Estava meio forçada, ofegante", relatou North ao deixar a penitenciária.

Pike foi encaminhada para um hospital após a interrupção do procedimento. Desde a tentativa de execução, não foram divulgadas novas informações sobre seu estado de saúde.

O que a defesa aponta como causa da falha

Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, organização que reúne dados e informações sobre a pena de morte nos Estados Unidos, afirmou que o episódio não possui precedente equivalente.

Segundo Maher, outras sete pessoas sobreviveram a tentativas malsucedidas de execução no país. Nesses episódios, porém, as equipes responsáveis não conseguiram obter acesso venoso para administrar os medicamentos. Até então, não havia registro de uma pessoa que tivesse sobrevivido depois de receber as substâncias previstas no procedimento.

O Departamento de Correções do Tennessee não informou a causa da falha. Dorinda Carter, porta-voz do órgão, disse às testemunhas que não havia informações disponíveis naquele momento sobre o ocorrido.

Os advogados de Pike afirmaram que possíveis problemas haviam sido apontados antes da execução. Em comunicado, a defesa citou dificuldade para obtenção de acesso venoso, rompimento de veias, possível degradação do pentobarbital e falta de atendimento médico emergencial, "tudo isso sob um protocolo que continua envolto em sigilo".

O Tennessee já havia enfrentado problemas relacionados à administração do medicamento neste ano. Em maio, a execução de Tony Carruthers foi cancelada após mais de uma hora de tentativas para encontrar uma veia que permitisse a aplicação do pentobarbital.

Na noite de quarta-feira, a defesa de Pike recorreu à Suprema Corte para tentar interromper o procedimento. Os advogados alegaram que ela enfrentava uma "agonia desnecessária" e afirmaram que seu direito de não ser submetida a punições cruéis e incomuns estava sob violação.

A defesa também apresentou pedidos ao Tribunal de Apelações do Sexto Circuito e a um tribunal distrital. Os recursos solicitavam que o Departamento de Correções adotasse medidas para preservar a vida de Pike.

Crime ocorreu em 1995 e caso foi associado ao "pânico satânico"

Pike e o então namorado foram condenados pelo espancamento e esfaqueamento de Colleen Slemmer. Os três frequentavam uma instituição de treinamento profissional em Knoxville.

O crime ganhou repercussão nacional devido a elementos encontrados no corpo da vítima, entre eles um pentagrama. O caso passou a ser associado ao "pânico satânico", período marcado pelo temor relacionado à existência de cultos satânicos nos Estados Unidos durante as décadas de 1980 e 1990.

Após a tentativa malsucedida de execução, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a abertura de uma investigação independente e suspendeu as execuções no estado até o fim do ano. Apenas mais uma execução estava prevista para esse período.

A investigação deverá examinar diferentes etapas do procedimento, entre elas o acesso venoso, as condições do medicamento administrado e o protocolo utilizado pelo Departamento de Correções, que permanece sob sigilo. O episódio envolvendo Pike ocorreu cinco meses depois da tentativa de execução de Carruthers, interrompida após dificuldades para obter acesso venoso.

'Perguntas frequentes'

O que aconteceu durante a execução de Christa Gail Pike? +

Christa Gail Pike continuou respirando após a aplicação dos medicamentos previstos para sua execução no Tennessee. Segundo seus advogados, Pike recebeu duas doses de pentobarbital antes de ser encaminhada a um hospital.

Por que Christa Gail Pike foi condenada à pena de morte? +

Christa Gail Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em Knoxville, em 1995. Pike tinha 18 anos na época do crime, cometido por espancamento e esfaqueamento.

Como o pentobarbital age no organismo? +

O pentobarbital é um barbitúrico que reduz a atividade do sistema nervoso central. Em concentrações altas, a substância pode interromper a respiração e a circulação, funções necessárias para manter o organismo vivo.

Por que a execução de Christa Gail Pike falhou? +

A causa da falha não foi informada pelo Departamento de Correções do Tennessee. Os advogados de Pike citaram possíveis dificuldades de acesso venoso, rompimento de veias, degradação do pentobarbital e falta de atendimento médico emergencial.

Outras pessoas já sobreviveram a tentativas de execução nos Estados Unidos? +

Outras sete pessoas sobreviveram a tentativas malsucedidas de execução no país, segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center. Maher afirmou, porém, que não havia registro equivalente de sobrevivência após a administração das substâncias previstas no procedimento.

O que o Tennessee decidiu após a tentativa de execução? +

O governador Bill Lee determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no Tennessee até o fim do ano. A apuração deverá examinar o acesso venoso, as condições do medicamento e o protocolo usado pelo Departamento de Correções.

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