Ciência

Exame para ansiedade? Cientistas descobrem molécula que 'responde' ao estresse

Estudo mostra que composto produzido por plaquetas reduz a formação de novos neurônios e pode abrir caminho para novos tratamentos

Exame de sangue para ansiedade: cientistas descobrem molécula que pode criar novos tratamentos (Lucas Ninno/Getty Images)

Exame de sangue para ansiedade: cientistas descobrem molécula que pode criar novos tratamentos (Lucas Ninno/Getty Images)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 27 de março de 2026 às 16h21.

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Quase 360 milhões de pessoas têm ansiedade, o transtorno mental mais comum do mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas, e se existisse um exame de sangue capaz de diagnosticar essa doença e ainda explicasse como ela age no cérebro? É isso que cientistas da Suíça estão tentando fazer.

Os neurocientistas Thomas Larrieu e Nicolas Toni, do Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça, publicaram um artigo com essa exata proposta na Nature Communications.

O estudo identificou uma molécula presente no sangue que pode desempenhar um papel central na forma como o cérebro responde ao estresse. A substância, chamada LPA16:0, foi associada a níveis mais altos de ansiedade em humanos e animais, e a uma menor capacidade do cérebro de se adaptar a situações estressantes.

O que os cientistas descobriram?

Os pesquisadores observaram que indivíduos com maior tendência à ansiedade apresentam níveis mais elevados de LPA16:0 no sangue. Essa molécula é produzida principalmente pelas plaquetas, células conhecidas por seu papel na coagulação do sangue, mas que também liberam substâncias capazes de afetar o funcionamento cerebral.

Em experimentos com sangue e células humanos e animais (camundongos), os pesquisadores demonstraram que o LPA16:0 reduz a chamada neurogênese adulta: o processo de formação de novos neurônios no hipocampo, região do cérebro ligada à memória, às emoções e à regulação do estresse.

Esse efeito tem sérias consequências. Quanto menos neurônios são produzidos, menor é a resiliência ao estresse, ou seja, maior vulnerabilidade a respostas ansiosas.

Novos tratamentos para ansiedade?

Os pesquisadores testaram ainda intervenções experimentais. Ao bloquear a ação do LPA16:0, os cientistas descobriram que:

  • A produção de novos neurônios aumentou;
  • Os animais se tornaram mais resistentes ao estresse.

Esses resultados indicam que o LPA16:0 pode ser um novo alvo de terapias para transtornos de ansiedade e outros problemas psiquiátricos. Além disso, a molécula pode servir como um biomarcador, ou seja, um indicador biológico mensurável que ajudaria no diagnóstico ou no acompanhamento de pacientes.

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