Coração partido: términos de relacionamentos afetam a saúde (Malte Mueller/Getty Images)
Redatora
Publicado em 21 de abril de 2026 às 16h01.
Terminar um relacionamento pode não ser custoso somente para o coração em termos sentimentais. Segundo pesquisa de Harvard, o término pode provocar alterações no sistema imunológico, e afetar diretamente a saúde das pessoas.
De acordo com o estudo publicado na revista científica Nature, o estresse emocional causado pelo rompimento pode aumentar a liberação de substâncias como cortisol e adrenalina. Essas alterações estão ligadas a mudanças fisiológicas que afetam a resposta imunológica.
O amor, enquanto fenômeno humano, está relacionado a mecanismos biológicos e evolutivos do Homo sapiens. Pesquisas indicam que esse tipo de vínculo desempenha papel na interação social e na sobrevivência da espécie, o que explica a intensidade das respostas do organismo em situações de apego e perda.
O aumento de hormônios do estresse pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial. Em alguns casos, também está associado a alterações na microcirculação e a espasmos nas artérias do coração.
Essas reações fazem parte de respostas físicas a eventos emocionais intensos e podem afetar diferentes sistemas do organismo. O corpo reage ao rompimento de forma semelhante a outras situações de estresse agudo.
O estudo indica ainda que o organismo pode apresentar aumento na produção de proteínas inflamatórias, chamadas citocinas. Esse processo está relacionado a mudanças na atividade do sistema imunológico.
Quando prolongadas, essas alterações podem reduzir a eficiência das defesas do corpo e favorecer o surgimento de infecções. A resposta inflamatória pode se manter ativa enquanto o estresse emocional persiste.
A pesquisa destaca também que as mudanças fisiológicas observadas após o término estão relacionadas à chamada “síndrome do coração partido”, descrita por pesquisadores japoneses na década de 1990.
A condição envolve alterações no funcionamento cardíaco desencadeadas por estresse emocional, incluindo impacto na circulação e na atividade do coração. Em alguns casos, pode haver disfunção na microvasculatura e alterações temporárias no desempenho cardíaco.
O estudo também aponta que a fase mais intensa da paixão tende a durar até cerca de 18 meses. Após esse período, o organismo reduz a intensidade das respostas fisiológicas, o que contribui para a estabilização das relações ao longo do tempo.
Esse comportamento está relacionado ao funcionamento do cérebro. Estudos de neurociência indicam que o amor ativa regiões do cérebro ligadas ao sistema de recompensa, responsáveis por estruturas associadas ao prazer e à motivação.
Entre essas áreas estão a ínsula e o córtex cingulado anterior, envolvidos no processamento de emoções e na percepção de estímulos relevantes. A ativação dessas estruturas está associada à liberação de substâncias químicas relacionadas ao bem-estar.