Incêndios florestais: calor intenso pode formar nuvens capazes de alterar as condições meteorológicas locais (Freepik)
Redatora
Publicado em 28 de julho de 2026 às 20h49.
Os incêndios florestais que atingem a França e a Espanha chamaram a atenção para um fenômeno atmosférico raro que pode tornar as chamas ainda mais perigosas. Conhecidas como pirocumulonimbus (piroCb), as chamadas "nuvens de fogo" são capazes de criar tempestades sobre grandes incêndios, gerar ventos intensos e até provocar novos focos por meio de raios.
Estudos destacados pelo The Guardian indicam que esse tipo de formação tende a se tornar mais frequente em um cenário de mudanças climáticas, marcado por ondas de calor mais intensas, secas prolongadas e incêndios de maior proporção.
As nuvens pirocumulonimbus se formam quando um incêndio florestal libera enormes quantidades de calor e energia. A fumaça sobe rapidamente pela atmosfera e, ao atingir grandes altitudes, encontra temperaturas mais baixas. A umidade presente no ar se condensa e dá origem a uma nuvem semelhante às de tempestade.
Nos incêndios mais intensos, essa estrutura pode atingir entre 10 e 15 quilômetros de altitude, alcançando a estratosfera. A Nasa descreve esse fenômeno como um "dragão cuspindo fogo das nuvens".
Pesquisas desenvolvidas por especialistas em incêndios florestais da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW) mostram que essas tempestades representam a forma mais severa das chamadas "nuvens de fogo" e alteram significativamente as condições atmosféricas ao redor do incêndio.
Além de indicar que o incêndio atingiu um nível extremo, as nuvens pirocumulonimbus podem intensificar o próprio fogo.
Segundo os estudos destacados pelo jornal, essas formações geram rajadas de vento que aceleram a propagação das chamas e tornam o comportamento do incêndio muito mais imprevisível. Em determinadas situações, elas também produzem descargas elétricas capazes de iniciar novos focos de incêndio a quilômetros de distância.
Rick McRae, pesquisador da UNSW, afirma que a formação dessas nuvens confirma que o incêndio representa um risco elevado e reforça a necessidade de evacuação das áreas ameaçadas.
Pesquisadores observam esse tipo de fenômeno com maior frequência desde o início dos anos 2000, sobretudo na Austrália. Nuvens pirocumulonimbus também foram registradas durante grandes incêndios na Califórnia.
Na França, entretanto, especialistas afirmam que esse pode ser o primeiro episódio em que o país precisou considerar explicitamente esse tipo de formação atmosférica durante um grande incêndio florestal.
Pesquisas apontam que a maior frequência desses eventos está relacionada às condições criadas pelas mudanças climáticas.
Mais do que o aumento da temperatura, fatores como secas prolongadas, alterações na circulação atmosférica e ondas de calor sucessivas favorecem incêndios de grande intensidade, capazes de gerar seus próprios sistemas meteorológicos.
Os incêndios que atingem atualmente o sul da Europa ocorrem após meses de baixa precipitação e durante um período de calor intenso. Meteorologistas ainda alertam para a chegada de uma nova massa de ar quente sobre a França, com temperaturas que podem alcançar 40°C em algumas regiões, aumentando o risco de novos incêndios e da formação de outras "nuvens de fogo".