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Tempestade e risco de tornado: o que esperar para o fim de semana no Rio Grande do Sul

Estado entra em alerta para chuva forte, granizo e risco de tornado neste fim de semana; veja a previsão dia a dia e como se preparar

Rio Grande do Sul tem previsão de chuvas severas e tornado neste final de semana (ADALBERTO ROQUE/AFP)

Rio Grande do Sul tem previsão de chuvas severas e tornado neste final de semana (ADALBERTO ROQUE/AFP)

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 16 de julho de 2026 às 14h17.

O Rio Grande do Sul entrou em alerta para mais uma sequência de temporais.

O Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado (CMDEC) emitiu um novo Aviso Hidrometeorológico nesta quarta-feira (15/7), apontando risco de chuva forte a intensa, queda de granizo, rajadas de vento acima de 90 km/h e condições favoráveis à formação de tornados entre esta quinta-feira (16) e o sábado (18).

Segundo o órgão, os primeiros temporais isolados devem atingir o Oeste, a Campanha e o Sul gaúcho já entre quinta e sexta-feira.

O cenário se agrava a partir da noite de sexta, quando uma frente de instabilidade mais organizada avança sobre o estado, favorecendo tempestades severas justamente no período de maior risco: a virada de sexta para sábado.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçou o alerta estadual com avisos próprios para diferentes regiões do RS.

Um dos comunicados, em grau de Perigo Potencial, vale da meia-noite de sexta até as 23h59 de domingo (19) e prevê chuva de 20 mm a 30 mm por hora (ou até 50 mm no dia), ventos de 40 km/h a 60 km/h e possibilidade de granizo.

Já o segundo aviso, em grau de Perigo, passa a valer à meia-noite de sábado e também vai até domingo à noite, com chuva de 30 mm a 60 mm por hora (ou de 50 mm a 100 mm no dia), ventos entre 60 km/h e 100 km/h e queda de granizo.

Cidades da região sudeste do estado, como Pelotas, têm ainda um alerta específico de Perigo do Inmet, válido entre sexta e sábado, com ventos que podem chegar a 100 km/h e risco de corte de energia elétrica.

Já Santa Maria e a região Centro Ocidental estão sob aviso amarelo nesta quinta-feira, com ventos de até 60 km/h e possibilidade de granizo.

O episódio chega poucos dias depois de outro temporal ter atingido Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no último fim de semana.

O município, que ainda se recupera das enchentes de maio de 2024, teve pelo menos 101 casas destelhadas e cerca de 400 pessoas desalojadas.

Como fica o fim de semana?

O sábado (18) é o dia mais crítico, segundo a Defesa Civil estadual.

O aviso oficial prevê tempestades com rajadas de vento superiores a 90 km/h, granizo que pode ser de grande porte e chuva forte a intensa, com risco mais elevado nas áreas classificadas em alerta laranja no mapa do órgão. Também é o período de maior chance de formação de tornados.

Os acumulados de chuva devem variar entre 30 mm e 150 mm ao longo de todo o período de vigência do aviso (quinta a sábado), mas parte importante desse volume pode cair em pouco tempo justamente no sábado, o que aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e elevação rápida de arroios e pequenos rios.

Rajadas de vento entre 70 km/h e 90 km/h podem ocorrer mesmo fora das áreas de tempestade, entre a madrugada de sexta e o sábado.

Os transtornos mais esperados são queda de galhos e árvores, destelhamentos e problemas na rede elétrica, além de vias alagadas em pontos de escoamento mais lento.

Domingo (19) deve trazer uma redução gradual da instabilidade, mas o Inmet mantém avisos vigentes até as 23h59 do dia, já que os efeitos da chuva acumulada (rios mais cheios, solo saturado) tendem a persistir mesmo depois de o tempo começar a firmar.

A própria Defesa Civil informou que a condição de tempo severo pode se estender além do período já divulgado, com atualizações previstas para os próximos dias.

Como se preparar para as chuvas?

Diante do aviso, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul recomenda alguns cuidados básicos:

  • Evitar áreas alagadas durante os temporais, tanto a pé quanto de carro;
  • Não permanecer sob árvores durante ventos fortes ou queda de granizo;
  • Reforçar telhados e recolher objetos soltos de quintais, varandas e lajes, quando possível;
  • Acompanhar apenas informações divulgadas pelos canais oficiais da Defesa Civil e do Inmet, já que a localização exata das tempestades pode mudar em poucas horas;
  • Em caso de emergência, acionar a Brigada Militar pelo telefone 190, o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a própria Defesa Civil pelo 199.

Existe risco de repetir a tragédia de 2024?

O medo da nova onda de chuvas causar tragédias ambientais como a última ocorrida no estado em de 2024 é comum.

Na época, as chuvas deixaram 184 mortos confirmados e 25 pessoas desaparecidas no Rio Grande do Sul, segundo o último balanço oficial da Defesa Civil estadual. Mas, até o momento, esse não é o cenário indicado pelos órgãos oficiais para este fim de semana.

O próprio governo gaúcho, ao apresentar em abril o balanço de dois anos das enchentes, afirmou não haver indicativo de um evento na mesma escala do de 2024, mesmo com a formação de um novo El Niño prevista para 2026.

Segundo o Estado, o padrão climático deste ano aponta para chuva acima da média e eventos localizados, como temporais e alagamentos pontuais, mas nenhum modelo meteorológico consultado até agora sinaliza volumes de chuva próximos aos registrados naquele desastre, quando Porto Alegre acumulou 540 mm em um único mês.

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa ao longo do ano também reforçam que a tragédia de 2024 não foi causada apenas por um fator isolado, mas pela combinação incomum de vários sistemas atmosféricos atuando ao mesmo tempo por dias seguidos, o que prolongou e intensificou as chuvas muito além do normal.

O temporal previsto para este fim de semana tem outra natureza: é um episódio de tempestades severas, de curta duração e mais concentradas no tempo, com potencial para granizo, vendaval e tornados isolados, e não uma frente de chuva contínua e prolongada como a de 2024.

Depois de 2024, o Rio Grande do Sul também ampliou sua estrutura de monitoramento, com mais estações hidrometeorológicas, novos radares meteorológicos e planos de contingência em todos os municípios gaúchos, além de obras de proteção contra cheias em andamento em bacias como a do Jacuí, que inclui justamente Eldorado do Sul.

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