Trump: presidente dos EUA aplicou sanções ao Brasil em 2025 no contexto da prisão de seu aliado político Jair Bolsonaro
Estagiária de jornalismo
Publicado em 29 de julho de 2026 às 18h55.
Última atualização em 30 de julho de 2026 às 14h44.
O governo federal brasileiro se manifestou nesta quarta-feira, 29, sobre a renovação de sanções do governo dos Estados Unidos, aplicadas ao Brasil em julho de 2025. Apesar de a medida não ter efeito prático imediato na economia, a Presidência da República repudiou a ação norte-americana, afirmando que "a declaração reitera argumentos infundados e inverídicos de que o Brasil constitui uma 'ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional'."
A sobretaxa dos EUA foi aplicada no escopo da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa, na sigla em inglês) no contexto da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, no ano passado.
No entanto, a tarifa de 40% foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano, o que faz a renovação da medida ineficaz, ao menos por enquanto. A renovação da medida é considerada uma formalidade prevista na legislação americana e não cria novas sanções nem restabelece tarifas sobre as exportações brasileiras.
O comunicado desta terça-feira foi publicado no Federal Register, o diário oficial dos EUA, e informa que a publicação oficial da renovação ocorreu nesta quarta-feira.
O Governo brasileiro repudia o anúncio feito pelo Governo dos Estados Unidos da prorrogação por mais um ano da declaração de emergência nacional em relação ao Brasil.
A declaração reitera argumentos infundados e inverídicos de que o Brasil constitui "ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos", em função de alegadas “violação de direitos de livre expressão de pessoas e empresas dos EUA”, “censura e prisão, por parte do Supremo Tribunal Federal do Brasil, de pessoas exercendo liberdade de expressão”, “violações de direitos humanos" e "perseguição política a um ex-presidente do Brasil, sua família e seus apoiadores.”
Ao rechaçar a retomada de acusações sem qualquer fundamentação nos fatos e já amplamente rebatidas em encontros de autoridades dos dois países, o Brasil reafirma sua soberania e a independência dos Poderes da União. O Poder Judiciário brasileiro pauta sua atuação pelo fiel cumprimento dos preceitos da Constituição Federal.
A qualquer título, é inteiramente descabido caracterizar o Brasil como ameaça aos Estados Unidos, especialmente à luz dos históricos laços diplomáticos e da amizade que une os dois povos.
A Casa Branca reafirmou nesta terça-feira as justificativas utilizadas para declarar emergência nacional em relação ao Brasil no ano passado.
Entre elas, estão alegações de restrições à liberdade de expressão, violações de direitos humanos e perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o texto, o governo americano sustenta que políticas e ações atribuídas ao governo brasileiro continuariam representando uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
O documento também menciona supostos episódios de censura, decisões relacionadas à liberdade de expressão e conteúdos publicados na internet.
Com base nesses argumentos, o presidente Donald Trump determinou a manutenção da emergência nacional declarada em 30 de julho de 2025 por mais um ano, conforme previsão da Lei de Emergências Nacionais dos Estados Unidos. O aviso também será encaminhado ao Congresso americano.
A renovação ocorre em meio a uma série de anúncios tarifários feitos pelo governo Trump nas últimas semanas.
No início do mês, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob alegação de práticas comerciais ilegais. Semanas depois, foi anunciada uma tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil e de mais de 60 países, sob o argumento de combate ao trabalho forçado.