Ciência

Órgão 'esquecido' pode influenciar câncer e doenças cardíacas, diz estudo

Pesquisas apontam que estrutura ligada à imunidade pode afetar risco de doenças e resposta a tratamentos

Timo: órgão do sistema imunológico responsável pela produção de células de defesa (Getty Images)

Timo: órgão do sistema imunológico responsável pela produção de células de defesa (Getty Images)

Publicado em 24 de março de 2026 às 06h46.

Um órgão do corpo humano considerado "pouco relevante" na vida adulta pode ter um papel importante na saúde. Novos estudos indicam que o timo, estrutura ligada ao sistema imunológico, pode influenciar o risco de câncer, doenças cardiovasculares e até a resposta a tratamentos oncológicos.

As descobertas foram feitas por pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e publicadas na revista científica Nature.

O que é o timo?

O timo é um órgão localizado atrás do esterno, responsável pela maturação dos linfócitos T, células fundamentais para a defesa do organismo contra infecções e doenças.

Durante muitos anos, acreditava-se que o timo perdia sua função após a infância, já que ele encolhe com o envelhecimento. Por isso, era considerado pouco relevante na vida adulta. No entanto, as novas evidências mostram que o órgão continua tendo impacto no funcionamento do sistema imunológico ao longo da vida.

Em um dos estudos, os pesquisadores analisaram pacientes com câncer em tratamento com imunoterapia — técnica que estimula o sistema imunológico a combater tumores.

Segundo Nicolai Birkbak, da Universidade de Aarhus, em declaração ao site SciTechDaily, pacientes com melhor função do órgão apresentaram resposta mais eficaz ao tratamento e maior tempo de sobrevivência. Os resultados indicam que a condição do timo pode influenciar diretamente o sucesso de terapias contra o câncer.

Além disso, os estudos apontam que a redução da função do órgão está associada a maior risco de doenças cardiovasculares.

Estilo de vida pode afetar o funcionamento do timo

Os pesquisadores também identificaram que fatores de estilo de vida podem acelerar o declínio do timo ao longo dos anos. Há indícios de que hábitos como tabagismo, obesidade e baixa atividade física contribuem para esse processo, reduzindo a capacidade do organismo de produzir novos linfócitos T e comprometendo a resposta imunológica.

Diante disso, os cientistas sugerem que a avaliação da função do timo pode se tornar um indicador relevante na prevenção e no tratamento de doenças. A ideia é que, no futuro, seja possível identificar pessoas com declínio mais acelerado do órgão e desenvolver estratégias para retardar esse processo.

Com isso, médicos poderiam considerar não apenas o tumor, mas também a condição do sistema imunológico ao definir tratamentos.

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