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AI Appreciation Day: por que a confiança será o maior desafio da inteligência artificial (J Studios/Getty Images)
Jornalista
Publicado em 16 de julho de 2026 às 09h05.
Celebrado hoje, 16 de julho, o AI Appreciation Day (Dia da Valorização da Inteligência Artificial) foi criado para destacar os avanços da inteligência artificial, incentivar o debate sobre seus impactos na sociedade e promover o uso responsável da tecnologia. A data é um convite à empresas, pesquisadores e especialistas para discutir como a IA está transformando diferentes setores e quais desafios ainda precisam ser superados.
Neste ano, um dos temas centrais é a confiança. À medida que a inteligência artificial passa a apoiar decisões em áreas como saúde, finanças, educação e negócios, cresce também a necessidade de desenvolver sistemas transparentes, explicáveis e seguros. Líderes do SAS — player global de softwares e soluções avançadas de IA — afirmam que o futuro da IA dependerá menos da criação de modelos cada vez maiores e mais da construção de tecnologias nas quais pessoas e organizações possam confiar.
Segundo Marinela Profi, líder global de Estratégia de Mercado para IA e IA Generativa do SAS, uma das maiores contribuições da inteligência artificial é democratizar o acesso ao conhecimento especializado.
"Uma das maiores promessas da IA não é substituir a expertise humana, mas ampliar o acesso a ela."Marinela Profi
Durante décadas, resolver problemas complexos dependia da formação acadêmica, da experiência profissional, dos recursos disponíveis e, muitas vezes, da localização geográfica. Com a IA, ferramentas de pesquisa, análise de dados, programação e produção de conteúdo passam a estar disponíveis para um número muito maior de pessoas.
Na prática, isso significa que um pequeno empreendedor pode utilizar IA para analisar o mercado, um estudante pode receber apoio para compreender temas complexos e profissionais conseguem automatizar tarefas que antes consumiam horas de trabalho.
A executiva destaca que a principal transformação não está apenas em trabalhar com mais rapidez. A tecnologia permite que mais pessoas tenham acesso a capacidades antes restritas a especialistas, ampliando oportunidades para indivíduos e organizações de diferentes portes.
Ao mesmo tempo em que a IA se torna mais presente no cotidiano, cresce também a tendência de utilizá-la como fonte de orientação para decisões importantes.
Segundo Profi, muitas pessoas já recorrem à inteligência artificial não apenas como uma ferramenta, mas como uma espécie de conselheira. Esse comportamento aumenta a responsabilidade de empresas e desenvolvedores em criar sistemas capazes de oferecer respostas confiáveis.
Para isso, a executiva aponta três pilares fundamentais: transparência, responsabilidade e supervisão humana. Em outras palavras, além de apresentar respostas, os sistemas precisam deixar claro como chegaram às conclusões e permitir que pessoas revisem decisões quando necessário.
A confiança também é o principal ponto destacado por Udo Sglavo, vice-presidente de Pesquisa & Desenvolvimento em IA Aplicada e Modelagem do SAS.
Segundo ele, o maior desafio da inteligência artificial já não é desenvolver modelos mais sofisticados. A prioridade agora é construir sistemas nos quais as pessoas estejam dispostas a confiar.
Dois conceitos ganham importância nesse cenário. O primeiro é a explicabilidade, que consiste na capacidade de um sistema mostrar como chegou a determinada recomendação ou decisão. O segundo é a governança da IA, conjunto de políticas, processos e mecanismos que garantem o uso responsável, ético e seguro da tecnologia.
Na prática, isso inclui monitorar resultados, reduzir riscos de vieses, definir responsabilidades e garantir que decisões automatizadas possam ser auditadas quando necessário.
A preocupação com a confiança não se restringe ao SAS. Pesquisas recentes de organizações como IDC, McKinsey e Deloitte mostram que empresas de diferentes setores têm ampliado investimentos em governança, transparência e monitoramento de sistemas de inteligência artificial.
O movimento acompanha a expansão da IA em áreas como saúde, indústria, finanças, educação e atendimento ao cliente. Quanto maior o impacto das decisões automatizadas, maior também a necessidade de mecanismos que garantam segurança, conformidade regulatória e supervisão humana.
O avanço da inteligência artificial indica que a tecnologia continuará ganhando espaço nas empresas e na rotina das pessoas. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de desenvolver competências para utilizar essas ferramentas de forma crítica e responsável.
Mais do que saber operar plataformas de IA, profissionais precisarão interpretar resultados, validar informações e compreender os limites dos modelos utilizados. Para empresas, investir em governança e transparência tende a ser um fator cada vez mais relevante para ampliar a confiança de clientes, colaboradores e parceiros.