Martha Ann Lillard dependia do equipamento desde 1953, quando contraiu poliomielite (YouTube/Reprodução)
Repórter
Publicado em 15 de julho de 2026 às 15h13.
Última atualização em 15 de julho de 2026 às 15h14.
Martha Ann Lillard, apontada como a última pessoa nos Estados Unidos a depender de um "pulmão de aço" para respirar, morreu aos 78 anos. Ela morava em Shawnee, no estado de Oklahoma, e utilizou o equipamento por mais de 70 anos, desde que contraiu poliomielite aos 5 anos, em 1953. A infecção ocorreu dois anos antes de a vacina contra a doença começar a ser aplicada no país.
De acordo com familiares, a morte ocorreu em 26 de junho em razão de complicações associadas à Covid longa. O quadro também foi impactado pelo desgaste do "pulmão de aço", aparelho fabricado na década de 1940 que já não podia mais ser reparado devido à falta de peças de reposição e de profissionais especializados.
O pulmão de aço consiste em um respirador mecânico de pressão negativa que envolve praticamente todo o corpo do paciente. O equipamento altera a pressão ao redor do tórax para permitir a expansão dos pulmões e foi amplamente empregado durante as epidemias de poliomielite da primeira metade do século XX. Com a evolução dos ventiladores mecânicos e a ampliação da vacinação contra a doença, seu uso tornou-se praticamente inexistente.
Lillard foi infectada pela poliomielite pouco depois de completar cinco anos. Como consequência, ficou parcialmente paralisada e passou a contar com apenas cerca de 25% da capacidade pulmonar. Depois de permanecer aproximadamente seis meses hospitalizada, voltou para casa utilizando o pulmão de aço, equipamento que manteve pelo restante da vida. Segundo relatava, era o único aparelho que lhe proporcionava conforto e permitia respirar adequadamente.
Mesmo com as limitações impostas pela doença, ela mantinha uma rotina com diferentes atividades. Gostava de pintar, assistir a filmes clássicos e cuidar de cães da raça beagle. Nos anos mais recentes, desenvolveu síndrome pós-pólio e, posteriormente, Covid longa, condição que fez com que passasse a depender do equipamento durante todo o tempo.
Em entrevistas concedidas anteriormente, Lillard descreveu as dificuldades para manter o aparelho em funcionamento. Em casos de tempestades e tornados que provocavam interrupções no fornecimento de energia elétrica, familiares recorriam a geradores para garantir o funcionamento da máquina. Ela também relatava a escassez de componentes e a dificuldade de encontrar técnicos capacitados para realizar os reparos.
Após a morte de Paul Alexander, em março de 2024, Lillard passou a ser reconhecida como a última usuária conhecida de um pulmão de aço nos Estados Unidos. Alexander, conhecido internacionalmente como "o homem do pulmão de aço", também havia contraído poliomielite na infância e viveu por mais de sete décadas utilizando o equipamento.