Timo: pesquisadores encontraram relação entre a saúde do órgão e menor risco de câncer (Getty Images)
Redatora
Publicado em 6 de junho de 2026 às 08h17.
Um pequeno órgão do sistema imunológico que, durante décadas, recebeu pouca atenção dos cientistas, pode ter um papel muito mais importante na saúde do que se imaginava. Um estudo publicado na revista científica Nature sugere que a condição do timo está associada à longevidade, ao risco de desenvolver doenças graves e até à resposta de pacientes com câncer à imunoterapia.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, que utilizaram inteligência artificial para analisar tomografias computadorizadas de dezenas de milhares de adultos.
Os resultados indicam que pessoas com timos mais saudáveis tendem a viver mais e apresentam menor risco de câncer, doenças cardiovasculares e morte por diferentes causas.
O timo é um órgão localizado na região do tórax e desempenha um papel essencial no treinamento das células T, responsáveis por ajudar o sistema imunológico a reconhecer e combater infecções, vírus e outras ameaças ao organismo.
Após a puberdade, o órgão diminui gradualmente de tamanho e passa a produzir menos células T. Por causa desse processo, muitos pesquisadores acreditavam que sua influência sobre a saúde na vida adulta era limitada. O novo estudo sugere que essa visão pode estar incompleta.
Para investigar a relação entre o órgão e a saúde, os pesquisadores analisaram dados de mais de 25 mil adultos participantes de um programa de rastreamento de câncer de pulmão, além de informações de mais de 2.500 voluntários do tradicional Estudo do Coração de Framingham.
Com auxílio de inteligência artificial, a equipe avaliou características como tamanho, estrutura e composição do timo, criando uma pontuação chamada de "saúde tímica".
Os resultados mostraram que indivíduos com melhores pontuações apresentavam cerca de 50% menos risco de morte por qualquer causa, 63% menos risco de morte por doenças cardiovasculares e 36% menos risco de desenvolver câncer de pulmão em comparação com aqueles que apresentavam pior condição do órgão.Segundo os pesquisadores, essas associações permaneceram significativas mesmo após ajustes para idade e outros fatores de saúde.
A análise identificou alguns fatores associados a uma pior saúde do timo. Entre eles estavam o tabagismo, a inflamação crônica e o excesso de peso corporal.
Os autores sugerem que esses fatores podem comprometer a capacidade do sistema imunológico de permanecer eficiente ao longo dos anos.
A hipótese é que um timo mais saudável ajude a preservar a diversidade das células T, fortalecendo a resposta do organismo diante de novas ameaças, incluindo diferentes tipos de câncer.Em um segundo estudo publicado na mesma edição da revista Nature, os pesquisadores avaliaram mais de 1.200 pacientes com câncer tratados com imunoterapia. Os dados mostraram que aqueles com timos mais saudáveis apresentaram melhores resultados durante o tratamento.
Segundo a análise, esses pacientes tiveram cerca de 37% menos risco de progressão da doença e 44% menos risco de morte em comparação com aqueles que possuíam piores indicadores de saúde tímica.
Os resultados sugerem que o órgão pode desempenhar um papel importante na eficácia das imunoterapias, consideradas uma das principais estratégias atuais no tratamento de diversos tipos de câncer.
Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que mais estudos serão necessários antes que a avaliação do timo passe a fazer parte da prática clínica.