Doenças cardíacas: nova ferramenta de IA analisa eletrocardiogramas e identifica sinais de insuficiência cardíaca e problemas nas válvulas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
Redatora
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 17h04.
Uma ferramenta de inteligência artificial (IA) pode identificar sinais de doenças cardíacas em menos de dois segundos. A tecnologia analisa eletrocardiogramas (ECGs) e busca alterações que podem passar despercebidas em uma avaliação convencional.
O sistema foi desenvolvido para detectar indícios de insuficiência cardíaca e doenças das válvulas cardíacas. Os resultados foram apresentados durante o congresso anual da Sociedade Europeia de Cardiologia, realizado em Munique, na Alemanha, e divulgados pelo jornal The Guardian.
O ECG registra a atividade elétrica do coração e é utilizado há décadas para avaliar frequência e ritmo cardíacos. Porém, o exame não permite identificar diretamente todas as alterações estruturais do órgão.
A nova ferramenta foi treinada com milhões de eletrocardiogramas de rotina. A proposta é utilizar informações presentes nesses exames para estimar a probabilidade de determinadas doenças cardíacas.
Em um estudo com 67 mil pacientes nos Estados Unidos, o sistema identificou até 81% das pessoas com insuficiência cardíaca. Para doenças das válvulas cardíacas, a taxa chegou a 90%.
A tecnologia, porém, não substitui exames específicos. Entre eles está o ecocardiograma, que utiliza ultrassom para produzir imagens do coração e avaliar sua estrutura e funcionamento.
Segundo os pesquisadores, um possível uso da ferramenta seria identificar pacientes que apresentam maior probabilidade de ter uma doença cardíaca.
Essas pessoas poderiam ser encaminhadas com maior prioridade para exames complementares. A estratégia poderia reduzir o tempo até a confirmação do diagnóstico em alguns sistemas de saúde.
A ferramenta também poderia ser aplicada a ECGs solicitados por outros motivos. Nesse cenário, a análise automatizada poderia apontar alterações cardíacas que ainda não haviam levantado suspeita clínica.
Apesar dos resultados, o sistema não deve ser utilizado isoladamente para confirmar ou descartar uma doença cardíaca. Um resultado positivo indicaria apenas uma maior probabilidade de alteração.
A confirmação depende de avaliação médica e, quando necessário, de exames adicionais, como o ecocardiograma.
De acordo com o jornal, a British Heart Foundation, que financiou o estudo, destacou que a tecnologia não identifica todos os casos. A entidade considera que o recurso pode ajudar a direcionar mais rapidamente pacientes com maior risco.
Os pesquisadores agora avaliam outras possibilidades para a ferramenta, incluindo sua utilização em diferentes contextos de atendimento.
Uma das propostas é desenvolver equipamentos portáteis capazes de realizar ECGs com análise por inteligência artificial. Isso permitiria levar a tecnologia para locais onde o acesso a exames especializados é mais limitado.
O objetivo central é usar os ECGs já realizados na rotina médica para encontrar sinais que indiquem a necessidade de uma investigação cardíaca mais detalhada.