Equipe estima que técnica possa virar alternativa para pacientes nos próximos cinco anos. Leonardo Riella, líder do estudo. (Reprodução/Redes Sociais)
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Publicado em 5 de setembro de 2026 às 13h18.
Um homem de 66 anos sobreviveu 271 dias com um rim de porco geneticamente modificado, o maior período já registrado com um órgão suíno desse tipo, segundo pesquisa que tem à frente o brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School.
Tim Andrews tinha insuficiência renal em estágio terminal e dependia de diálise antes do procedimento. Após receber o rim suíno, em janeiro de 2025, passou cerca de nove meses sem precisar do tratamento e retomou atividades do cotidiano.
O resultado amplia as evidências sobre o xenotransplante, técnica que utiliza órgãos de animais em seres humanos e é estudada como alternativa à escassez de doadores.
No Brasil, cerca de 45 mil pessoas estão na fila por um transplante renal, segundo dados do Ministério da Saúde citados no material.
Após 271 dias, Andrews desenvolveu uma infecção bacteriana. O quadro levou os médicos a reduzir os medicamentos imunossupressores usados para evitar a rejeição do órgão.
Com a redução da imunossupressão, o sistema imunológico passou a atacar o rim suíno, que precisou ser retirado.
82 dias depois, o paciente recebeu um rim humano, que seguia funcionando sem sinais de rejeição.
O resultado superou experiências anteriores. Em 2024, outro paciente da equipe de Riella havia vivido 52 dias após receber um rim de porco e morreu por problemas cardíacos não relacionados ao transplante.
O órgão usado no procedimento não veio de um animal comum. O porco foi geneticamente modificado para reduzir o risco de rejeição e aumentar a compatibilidade com o organismo humano.
As principais alterações foram:
Segundo o material, foram necessários cinco anos de pesquisas até chegar à combinação de alterações genéticas utilizada no procedimento. O processo recebeu aprovação da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos.
O xenotransplante é o transplante de células, tecidos ou órgãos entre espécies diferentes. No caso estudado pela equipe de Riella, um rim de porco geneticamente modificado foi transplantado para um ser humano.
Uma das principais barreiras é a rejeição causada pelo sistema imunológico, que identifica o órgão animal como estranho.
As modificações genéticas buscam reduzir essa reação e prolongar o período em que o órgão consegue funcionar no paciente.
Riella estima que o transplante de rim de porco possa se tornar uma alternativa para pacientes nos próximos cinco anos, inicialmente como uma ponte até o transplante humano.
A indicação, segundo o pesquisador, seria voltada a pessoas que já são candidatas a um transplante renal convencional.
O principal desafio continua sendo determinar a quantidade adequada de medicamentos imunossupressores. A equipe ainda estuda quando e em que nível as doses podem ser reduzidas sem provocar rejeição.
A longo prazo, o objetivo é aumentar a durabilidade dos órgãos suínos e reduzir a dependência de transplantes humanos.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) também avançam nos estudos de xenotransplante.
Em abril, uma equipe anunciou o nascimento do primeiro porco clonado do Brasil em um laboratório de Piracicaba, no interior paulista, como parte do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP.
O projeto brasileiro:
A clonagem é uma etapa necessária para reproduzir esses animais em maior escala.