Ciência

1 em cada 5 pessoas pode ter risco cardíaco 'oculto'; saiba como identificar

Estudo mostra que condição hereditária pode permanecer silenciosa por anos e elevar a chance de AVC e morte cardiovascular

Coração: condição genética silenciosa pode aumentar o risco de AVC e morte cardiovascular, segundo pesquisadores (Jolygon/Getty Images)

Coração: condição genética silenciosa pode aumentar o risco de AVC e morte cardiovascular, segundo pesquisadores (Jolygon/Getty Images)

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 12h35.

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Uma partícula pouco conhecida relacionada ao colesterol pode aumentar silenciosamente o risco de doenças cardiovasculares em milhões de pessoas.

Segundo uma análise apresentada nas Sessões Científicas de 2026 da Sociedade de Angiografia e Intervenções Cardiovasculares (SCAI), cerca de uma em cada cinco pessoas possui níveis elevados de lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), um fator de risco hereditário que geralmente passa despercebido em exames convencionais de colesterol. As informações foram publicadas no ScienceDaily na última segunda-feira, 10.

O estudo reuniu dados de 20.070 participantes de três grandes ensaios clínicos financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) e mostrou que concentrações muito elevadas de Lp(a) estão associadas a um aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), morte cardiovascular e outros eventos cardíacos graves.

O que é a lipoproteína(a) e por que preocupa?

A Lp(a) é uma partícula que transporta colesterol no sangue e se assemelha ao LDL, conhecido como "colesterol ruim". A diferença é que ela contém uma proteína adicional que pode favorecer o acúmulo de placas nas artérias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

Ao contrário do colesterol tradicional, os níveis de Lp(a) são determinados principalmente pela genética. Isso significa que uma pessoa pode apresentar colesterol LDL controlado e, ainda assim, carregar um risco cardiovascular aumentado devido à Lp(a).

Segundo os pesquisadores, a condição normalmente não provoca sintomas, fazendo com que muitas pessoas desconheçam que possuem esse fator de risco.

Estudo avaliou mais de 20 mil pessoas

A análise utilizou amostras de sangue coletadas anteriormente em três grandes estudos do NIH — ACCORD, PEACE e SPRINT — envolvendo participantes com 40 anos ou mais.

Os pesquisadores classificaram os voluntários conforme os níveis de Lp(a) e acompanharam a ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC, necessidade de revascularização e morte de causa cardíaca.

Durante um acompanhamento médio de aproximadamente quatro anos, foram registrados 1.461 eventos cardiovasculares graves, correspondentes a 7,3% dos participantes.

Níveis muito altos aumentaram o risco de AVC e morte cardiovascular

Os resultados mostraram que pessoas com níveis de Lp(a) iguais ou superiores a 175 nmol/L apresentaram risco significativamente maior de desenvolver eventos cardiovasculares importantes.

Nesse grupo, houve aumento do risco de:

  • eventos cardiovasculares graves;
  • morte por causas cardiovasculares;
  • acidente vascular cerebral (AVC).

Curiosamente, os pesquisadores não observaram aumento significativo no risco de infarto do miocárdio associado aos níveis elevados de Lp(a). A associação também foi mais forte entre participantes que já apresentavam doença cardiovascular previamente.

Exame simples pode identificar o risco

Como a Lp(a) não costuma ser medida nos exames de colesterol de rotina, os pesquisadores destacam que um simples exame de sangue pode identificar esse fator de risco hereditário.

Segundo o cardiologista intervencionista Subhash Banerjee, um dos autores da pesquisa, conhecer os níveis de Lp(a) permite intensificar o controle de outros fatores de risco, sobretudo a redução do colesterol LDL, enquanto tratamentos específicos para essa partícula continuam em desenvolvimento.

Atualmente, ainda não existem terapias amplamente aprovadas destinadas especificamente à redução da Lp(a). No entanto, diversos medicamentos voltados para esse alvo já estão em fases avançadas de pesquisa clínica.

Para os autores, identificar precocemente pessoas com níveis elevados da partícula poderá ser importante para selecionar pacientes que possam se beneficiar dessas novas estratégias terapêuticas no futuro.

Além disso, a equipe pretende ampliar as análises para outros grupos, como pacientes com doença renal crônica e doença arterial periférica, para compreender melhor o impacto da Lp(a) em diferentes populações.

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