Saúde cardiovascular: estudo na Suécia analisou quase 482 mil hospitalizações registradas entre 2006 e 2021 (Freepik)
Redatora
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 19h29.
A exposição a temperaturas muito baixas ou muito altas foi associada a maior risco de hospitalização por insuficiência cardíaca. O resultado vem de um estudo que analisou 482 mil internações registradas na Suécia entre 2006 e 2021.
Publicado na última quinta-feira, 27, no Journal of the American College of Cardiology (JACC), o trabalho avaliou como diferentes temperaturas influenciaram o risco de internação. Os resultados também foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) de 2026.
Os pesquisadores analisaram tanto períodos de temperaturas extremas quanto dias em que as condições ficaram fora da faixa considerada ideal.
As ondas de frio foram definidas como pelo menos dois dias consecutivos com temperaturas iguais ou inferiores ao 5º percentil registrado em cada município, entre outubro e março. Já as ondas de calor foram classificadas a partir de temperaturas iguais ou superiores ao 95º percentil, entre abril e setembro.
A exposição ao frio esteve associada a maior risco de hospitalização entre dois e seis dias depois. A associação foi mais evidente entre o terceiro e o quinto dia. Temperaturas ambientes mais baixas também foram relacionadas a maior risco de internação. Nesse caso, a associação apareceu entre três e seis dias após a exposição.O efeito das temperaturas mais altas surgiu mais rapidamente. O aumento do risco foi observado entre o mesmo dia e até três dias depois.
Apesar dos resultados, os pesquisadores não encontraram associação estatisticamente significativa entre períodos classificados especificamente como ondas de calor e as hospitalizações por insuficiência cardíaca.
Segundo Wenli Ni, autora principal da pesquisa e pesquisadora de pós-doutorado na Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan, os resultados são relevantes para regiões de alta latitude, como a Suécia. Esses locais convivem com temperaturas baixas durante boa parte do ano. Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas globais amplia a exposição a episódios de calor.
Para Ni, populações acostumadas a climas frios também podem apresentar menor adaptação a temperaturas muito elevadas.
Os autores destacam ainda que o intervalo entre a exposição e a hospitalização deve ser considerado em medidas de prevenção. O risco relacionado ao frio pode aparecer dias depois, enquanto o associado ao calor tende a surgir mais rapidamente.
Em comentário editorial publicado junto ao estudo, Tiantian Li, vice-diretor do Instituto Nacional de Saúde Ambiental do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, afirmou que a medicina cardiovascular precisa considerar as condições meteorológicas.
Segundo Li, as evidências sobre os efeitos de temperaturas inadequadas na saúde cardiovascular já são relevantes. Uma das possibilidades apontadas é desenvolver sistemas de alerta precoce capazes de orientar medidas de proteção diante de condições meteorológicas extremas.