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Uso de inteligência artificial cresce no setor de saúde, com foco em tarefas administrativa

Pesquisa revela que 18% dos estabelecimentos médicos do País já adotam recursos de IA, com destaque para a organização de processos clínicos e segurança digital

A tecnologia faz parte da realidade dos estabelecimentos de saúde, alcançando 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico e atingindo seu maior índice, de 31%, nos complexos hospitalares que contam com mais de 50 leitos (Sírio-Libanês/Divulgação)

A tecnologia faz parte da realidade dos estabelecimentos de saúde, alcançando 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico e atingindo seu maior índice, de 31%, nos complexos hospitalares que contam com mais de 50 leitos (Sírio-Libanês/Divulgação)

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Publicado em 18 de maio de 2026 às 21h07.

O uso de inteligência artificial (IA) avança no setor de saúde no Brasil, e sua aplicação prática ainda está concentrada em demandas operacionais. De acordo com os dados da pesquisa da TIC Saúde, que está na sua 12ª edição, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil e conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), 18% dos estabelecimentos de saúde do País já utilizam algum recurso de inteligência artificial.

A tecnologia faz parte da realidade desses estabelecimentos alcançando 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico e atingindo seu maior índice, de 31%, nos complexos hospitalares que contam com mais de 50 leitos.

Foco operacional 

O levantamento aponta que a principal finalidade da IA nas instituições brasileiras é a organização de processos clínicos e administrativos, sendo os modelos com IA generativa os mais adotados, por 76% dos estabelecimentos. Em seguida, aparece a mineração de texto (52%), automação de processos (48%), melhoria da segurança digital (36%) e o aumento da eficiência dos tratamentos (32%).

Apesar de 92% das instituições de saúde usarem prontuários eletrônicos, a comunicação externa entre as redes é limitada: menos da metade (44%) realiza encaminhamentos digitais. Essa fragmentação revela uma grande assimetria, com a rede pública sendo muito mais eficiente na troca de dados clínicos (64%) e exames (47%) do que o setor privado, que apresenta índices de 28% e 29%, respectivamente.

“O País avançou primeiro em soluções de menor risco regulatório e operacional, mas ainda enfrenta barreiras importantes para incorporar a IA à prática clínica de maneira ampla e segura. Uma dessas barreiras está na própria infraestrutura digital desigual do sistema de saúde brasileiro. Muitos hospitais e unidades básicas ainda operam com prontuários parcialmente digitalizados, baixa interoperabilidade entre sistemas e dificuldade de integração de dados clínicos", afirma Juliana Vicente, Head do portfólio de saúde da Informa Markets, empresa organizadora da Feira Hospitalar 2026 — o maior evento do setor na América Latina, está na sua 31ª edição e acontece de 19 a 22 de maio no São Paulo Expo, reunindo marcas, especialistas e inovações em tecnologia hospitalar.

“Sem uma base estruturada e padronizada de informações, aplicações mais sofisticadas de IA tornam-se inviáveis ou pouco confiáveis. Além disso, o uso clínico da tecnologia exige validação científica robusta, governança de dados e protocolos claros de responsabilidade médica, aspectos que ainda estão em amadurecimento no País. Também falta confiança e capacitação para que os médicos usem a tecnologia além do suporte administrativo, por haver receios jurídicos e de proteção de dados. Além disso, o alto investimento exigido faz com que gestores priorizem a automação de processos em vez de aplicações clínicas complexas", complementa Juliana Vicente.

Conectividade e serviços ao cidadão

Além da Inteligência Artificial, a TIC Saúde traçou um panorama sobre a digitalização dos serviços oferecidos diretamente à população. Segundo o levantamento, a visualização de resultados de exames por meio da internet é o serviço digital mais comum, disponível em 39% dos estabelecimentos de saúde de todo o País. O agendamento online de consultas é realidade em 34% dos locais, enquanto a marcação de exames de forma remota atinge o índice de 32%.

Nos serviços de telessaúde, a teleconsultoria (uma consulta realizada exclusivamente entre profissionais de saúde) é a modalidade mais disseminada, presente em 36% dos estabelecimentos. Na sequência, aparecem a teleconsulta (28%), o telediagnóstico (27%) e o telemonitoramento (20%).

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