Navio romano: centenas de ânforas permaneceram preservadas no fundo do mar por mais de 2.100 anos, na costa da Sicília ( Italian Carabinieri Press Office/AFP)
Redatora
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 16h03.
Um navio romano que naufragou há cerca de 2.100 anos foi encontrado no fundo do mar, na costa oeste da Sicília, na Itália. A embarcação, localizada a 46 metros de profundidade próximo à cidade de Mazara del Vallo, estava repleta de centenas de ânforas (vasos de cerâmica) e foi classificada pelo governo italiano como uma das descobertas arqueológicas subaquáticas mais importantes dos últimos anos.
Segundo informações divulgadas pela Deutsche Welle, as análises iniciais indicam que o naufrágio ocorreu entre os séculos II e I a.C.. A descoberta pode ajudar pesquisadores a compreender melhor as rotas comerciais que cruzavam o Mediterrâneo durante o período romano.
O sítio arqueológico foi identificado depois que pescadores e mergulhadores locais comunicaram às autoridades a existência de estruturas incomuns no fundo do mar.
Um dos responsáveis pela descoberta, o mergulhador Giacomo De Mola, contou que inicialmente acreditou estar diante de uma grande rocha. Segundo o relato, ao se aproximar percebeu que a formação era, na verdade, um enorme conjunto de ânforas espalhadas pelo leito marinho, preservadas no mesmo local havia mais de dois milênios.
Grande parte da carga encontrada é composta por ânforas do tipo Dressel 1A, recipientes de cerâmica utilizados principalmente para transportar vinho durante a República Romana.
De acordo com a imprensa italiana, também foram identificadas ânforas do tipo Lamboglia 2 e um exemplar de tradição neopúnica, indicando que a embarcação transportava mercadorias ligadas a diferentes regiões do Mediterrâneo.
Para os arqueólogos, esse conjunto representa um importante registro das trocas comerciais entre diferentes povos da Antiguidade.
As primeiras avaliações apontam que a embarcação mede aproximadamente 21 metros de comprimento e 6 metros de largura.
O local foi classificado pela unidade de proteção do patrimônio cultural dos Carabinieri como um importante sítio arqueológico subaquático. As próximas etapas da investigação serão conduzidas pela Superintendência do Mar da Sicília, órgão responsável pela pesquisa e preservação do patrimônio submerso da região.
Segundo o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, o naufrágio representa uma das descobertas arqueológicas subaquáticas mais relevantes dos últimos anos e poderá ampliar o conhecimento sobre os povos, as rotas marítimas e as relações comerciais que fizeram do Mediterrâneo um dos principais centros de intercâmbio do mundo antigo.
Os estudos deverão continuar nos próximos meses para determinar a origem da embarcação, reconstruir sua rota e identificar mais detalhes sobre a carga transportada antes do naufrágio.