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Indústria lidera a lista de setores com maior ganho potencial da IA aplicada ao clima (Imagem gerada por IA/EXAME)
Repórter de ESG
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 14h00.
Última atualização em 7 de setembro de 2026 às 18h13.
"A IA é mais do que uma ferramenta de eficiência", destaca Paulo Mattosinho, diretor executivo e sócio do Boston Consulting Group (BCG).
A frase resume a principal conclusão de um novo estudo da consultoria em parceria com a Temasek e divulgado em primeira mão pela EXAME: os setores de clima e sustentabilidade estão prestes a passar por uma transformação impulsionada por inteligência artificial que vai muito além de automatizar tarefas.
Segundo o levantamento, a aplicação das capacidades atuais de IA nesses setores pode agregar cerca de US$ 600 bilhões por ano à economia global até 2028.
Isso acontece porque a IA otimiza o mesmo recurso que interessa tanto ao negócio quanto ao meio ambiente, o que faz lucro e sustentabilidade andarem juntos, "em vez de competir".
Ao analisar mais de 40 áreas diferentes, os pesquisadores identificaram cinco subsetores que concentram sozinhos cerca de US$ 423 bilhões dessa oportunidade e representam praticamente 70% do total mapeado.
O maior deles é a eficiência de equipamentos e sistemas industriais, avaliado em US$ 300 bilhões.
Ao aplicar IA em processos contínuos, empresas industriais podem cortar cerca de 0,6 gigatonelada de emissões de escopo 1 e 2 por ano, além de reduzir riscos à segurança dos trabalhadores.
Em seguida aparece a modelagem de risco climático, com US$ 75 bilhões em potencial. A tecnologia melhora a precisão de análises usadas pelo setor de seguros e também contribui para previsões meteorológicas e planejamento logístico mais confiáveis.
Outros três subsetores completam a lista: redes, armazenamento e gestão de flexibilidade do sistema elétrico (US$ 32 bilhões), voltados à modernização de redes e à orquestração de usinas virtuais de energia; educação inclusiva (US$ 13 bilhões), em que a IA ajuda professores a economizar tempo de planejamento e adaptar o ensino a alunos de diferentes origens; e descoberta de materiais (US$ 3 bilhões), com plataformas que aceleram a passagem de testes de laboratório para produção como o caso de novos componentes para baterias.
Apesar do potencial bilionário, o estudo é claro ao apontar que capturar esse valor em escala não depende apenas de mais capacidade de IA.
Os principais entraves identificados são: dados operacionais fragmentados, incertezas regulatórias, resistência cultural dentro das organizações e a necessidade de adaptar sistemas e infraestruturas físicas (um processo que deve se estender pelos próximos anos).
Para o especialista do BCG, o recado final é sobre direção, não apenas sobre tamanho da oportunidade.
"A IA permite que as empresas cortem emissões, reduzam o desperdício, precifiquem os riscos com mais precisão e alcancem pessoas que não conseguiam atender anteriormente", afirma. E complementa: "Feita em escala, ela remodela a forma como o capital flui para os desafios climáticos e de sustentabilidade".
O otimismo, porém, esbarra em um paradoxo: a infraestrutura que sustenta a própria IA é uma das atividades mais intensivas em água e eletricidade do momento.
Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo elétrico global de data centers deve triplicar até 2030 e representar cerca de 3% da demanda mundial de eletricidade.