Ciência

Virou a noite? 20 minutos de exercício podem melhorar a memória

Após 30 horas acordados, participantes que fizeram exercício tiveram desempenho de memória semelhante ao de quem dormiu por 90 minutos

Exercício: estudo mostrou melhora da memória mesmo quando os participantes continuavam sob efeito da privação de sono (Freepik)

Exercício: estudo mostrou melhora da memória mesmo quando os participantes continuavam sob efeito da privação de sono (Freepik)

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 07h05.

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Uma sessão de 20 minutos de exercício aeróbico pode melhorar a capacidade de formar novas memórias mesmo após uma noite inteira sem dormir. É o que indica um estudo publicado na revista científica PNAS.

Para chegar aos resultados, a pesquisa acompanhou 53 adultos jovens e saudáveis submetidos a 30 horas consecutivas de privação de sono. Depois desse período, parte dos participantes se exercitou, enquanto outro grupo dormiu por 90 minutos.

Os dois grupos tiveram desempenho semelhante em um teste de memória realizado posteriormente. O resultado, porém, não significa que a atividade física consiga substituir o sono.

Exercício melhora desempenho sem eliminar o cansaço

Os participantes foram divididos em três grupos. Um deles fez 20 minutos de exercício em bicicleta, outro teve 90 minutos para dormir e o terceiro permaneceu sentado na bicicleta pelo mesmo período. A atividade física foi realizada em intensidade equivalente a cerca de 80% da frequência cardíaca máxima.

Depois, os voluntários observaram uma sequência de imagens enquanto sua atividade cerebral era registrada por eletroencefalograma. Três dias depois, eles precisaram reconhecer quais imagens já haviam aparecido anteriormente.

No grupo sem intervenção, cerca de 46% das imagens foram reconhecidas corretamente. Entre os participantes que se exercitaram ou dormiram, o índice ficou entre 56% e 57%.

Na comparação com o grupo-controle, o exercício foi associado a um desempenho 21% maior. No grupo que dormiu, o aumento chegou a 23%. Dessa forma, a diferença entre os dois resultados não foi estatisticamente significativa.

Sono e exercício atuam de maneiras diferentes

Apesar do desempenho parecido, os registros da atividade cerebral mostraram que os dois grupos não chegaram ao resultado pelo mesmo caminho. Entre os participantes que dormiram, houve redução de sinais associados à chamada pressão do sono. Essa mudança apareceu principalmente pela diminuição de ondas lentas em regiões frontais do cérebro.

Já entre os que fizeram exercício, a pressão do sono permaneceu presente. Ainda assim, o cérebro pareceu utilizar de maneira mais eficiente recursos relacionados à atenção e ao processamento das informações.

O que 30 horas acordado fazem com a memória

A necessidade biológica de dormir aumenta conforme o tempo em que uma pessoa permanece acordada. Esse processo também provoca alterações observáveis na atividade cerebral.

A privação de sono está associada à redução do estado de alerta e da capacidade de processar informações. Também pode dificultar a formação de novas memórias.

Um dos mecanismos envolvidos é o acúmulo de adenosina, substância relacionada à regulação do sono e à sensação de sonolência. No estudo, os pesquisadores avaliaram especificamente a memória episódica. Ela permite recordar acontecimentos associados a determinado contexto, incluindo informações sobre quando e onde algo aconteceu.

A memória episódica é diferente da memória semântica, responsável pelo armazenamento de conhecimentos e informações gerais.

Resultado não significa que exercício substitui sono

Um dos principais limites do estudo é que a atividade física não reduziu a pressão do sono observada nos participantes. Quem dormiu apresentou uma redução maior da fadiga. Entre aqueles que fizeram exercício, a sensação de cansaço permaneceu semelhante à do grupo que não recebeu nenhuma intervenção.

Isso indica que melhorar o desempenho em uma tarefa de memória não é o mesmo que recuperar o estado de alerta.

Os resultados também não permitem afirmar que o exercício reverta os efeitos de uma noite sem dormir ou torne segura a realização de atividades que exigem atenção elevada.

Os participantes eram jovens e saudáveis e passaram por uma única situação de privação total de sono. O estudo não avaliou pessoas com doenças, idosos ou indivíduos submetidos repetidamente a jornadas com poucas horas de descanso. Também não foi investigado o efeito da privação parcial e prolongada, como dormir poucas horas por noite durante vários dias.

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