GLP-1: medicamento oral experimental pode ampliar as opções de tratamento da obesidade (Freepik)
Redatora
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 16h06.
Uma nova pílula experimental da classe dos GLP-1 apresentou resultados promissores no tratamento da obesidade e do sobrepeso. Em um ensaio clínico de fase II, participantes perderam até 12,1% do peso corporal em 36 semanas, reforçando o potencial de uma alternativa oral aos medicamentos injetáveis já disponíveis.
O estudo, publicado na revista Nature Medicine, faz parte do trabalho de pesquisadores da Northwestern Medicine. Segundo os autores, o medicamento, chamado aleniglipron, reúne uma eficácia comparável à observada em terapias já disponíveis, com o diferencial de ser administrado por via oral e ter potencial para ser produzido em larga escala com maior facilidade.
Assim como medicamentos como a semaglutida, comercializada sob os nomes Ozempic e Wegovy, o aleniglipron atua sobre o receptor do hormônio GLP-1, responsável por aumentar a sensação de saciedade, reduzir o apetite e estimular a liberação de insulina.
A principal diferença é que o novo composto é uma molécula pequena administrada por via oral, enquanto os tratamentos mais conhecidos da mesma classe são produzidos a partir de peptídeos e aplicados por injeção.
Segundo os pesquisadores, o aleniglipron pode ser tomado uma vez ao dia, com ou sem alimentos, diferentemente de outros medicamentos da classe que exigem aplicações injetáveis.
Outra vantagem apontada pela equipe é que, por ser uma molécula pequena produzida por síntese química, o medicamento pode ser fabricado em maior escala e com menos desafios logísticos. Além disso, não requer refrigeração, característica que pode facilitar o armazenamento e ampliar o acesso ao tratamento no futuro.
O ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo reuniu 230 adultos, com idade média de 50 anos, em 38 centros médicos dos Estados Unidos.
Os participantes apresentavam obesidade ou sobrepeso e foram divididos em três grupos, que receberam doses diárias de 45 mg, 90 mg ou 120 mg de aleniglipron. Outro grupo recebeu placebo durante 36 semanas.
Ao final do acompanhamento, a perda média de peso foi de:
Os eventos adversos mais comuns envolveram o sistema gastrointestinal, padrão já observado em outros medicamentos da classe dos GLP-1.
Segundo os autores, esses efeitos foram predominantemente leves ou moderados e diminuíram ao longo do estudo. Ao todo, 10,4% dos participantes interromperam o tratamento, e não foram registrados casos de lesão hepática induzida pelo medicamento.
Os pesquisadores afirmam que os resultados sustentam o avanço do aleniglipron para um ensaio clínico de fase III, etapa que reúne um número maior de participantes para confirmar a eficácia e a segurança antes de uma eventual aprovação pelos órgãos reguladores.
De acordo com o endocrinologista Robert Kushner, um dos autores do estudo, a pesquisa não identificou novos sinais relevantes de segurança e permitiu definir uma dose considerada eficaz para os próximos testes. A expectativa é que, na fase seguinte, o aumento das doses seja ainda mais gradual para melhorar a tolerabilidade do tratamento.