Ciência

Naufrágio de mais de 160 anos escondia champanhe destinado ao czar da Rússia

Investigação identificou que a carga preservada no Mar Báltico fazia parte de uma missão diplomática rumo à corte de Alexandre II

Champanhe: pesquisadores analisam o conteúdo das garrafas preservadas no fundo do Mar Báltico há mais de 160 anos (Baltictech)

Champanhe: pesquisadores analisam o conteúdo das garrafas preservadas no fundo do Mar Báltico há mais de 160 anos (Baltictech)

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 13h27.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreNaufrágios
Saiba mais

Mais de 160 anos depois de afundar no Mar Báltico, um navio continua revelando detalhes sobre sua última viagem. A análise da carga preservada nos destroços indica que dezenas de garrafas de champanhe encontradas na embarcação faziam parte de um carregamento destinado à corte do czar Alexandre II, da Rússia.

A conclusão foi obtida por pesquisadores da equipe Baltictech, que vêm investigando o naufrágio localizado a 58 metros de profundidade, ao sul da ilha sueca de Öland. Além das garrafas, os mergulhadores encontraram recipientes de água mineral Selters, porcelanas, couro e outros produtos de alto valor, preservados pelas baixas temperaturas e pela pouca salinidade das águas do Mar Báltico.

Novas análises ajudaram a reconstruir a história da embarcação

Após a descoberta do navio, a equipe retornou ao local para realizar novas etapas de documentação, fotografia e mapeamento tridimensional dos destroços. Com autorização das autoridades suecas, os pesquisadores também retiraram algumas garrafas de champanhe e de água mineral para análises laboratoriais.

Outro achado importante foi um prato de cerâmica fabricado pela empresa britânica Davenport. A peça foi datada de 1856 e ajudou a estimar que a embarcação iniciou sua viagem entre o fim daquele ano e o começo de 1857.

Segundo os pesquisadores, como esse tipo de louça costumava permanecer pouco tempo em uso a bordo, a data de fabricação oferece um bom indicativo sobre o período em que o navio partiu.

Bebida permaneceu preservada após mais de um século

As garrafas recuperadas passaram a ser examinadas em parceria com especialistas da vinícola francesa Maison Louis Roederer, responsável pela produção do champanhe.

As análises iniciais indicam que a bebida foi produzida por volta de 1850 e apresenta cerca de 12% de teor alcoólico e aproximadamente 110 gramas de açúcar por litro. De acordo com os pesquisadores, o conteúdo permanece preservado graças às condições ambientais do fundo do mar.

Três garrafas já foram entregues à equipe da vinícola, na França, para a realização de testes adicionais sobre a composição da bebida.

Evidências apontam para uma missão diplomática

A combinação das porcelanas datadas, dos recipientes encontrados e das características da carga levou os pesquisadores a concluir que o navio provavelmente integrava uma missão diplomática enviada por Adolfo, Duque de Nassau, ao czar Alexandre II.

Além do champanhe, a embarcação transportava vinho, água mineral, porcelana e couro, produtos destinados à corte russa durante o período de retomada das relações diplomáticas após a Guerra da Crimeia.

Os pesquisadores pretendem retornar ao local para investigar áreas ainda não exploradas do porão e tentar localizar o sino da embarcação, que pode ajudar na identificação definitiva do navio.

Ainda via comunicado, a equipe também informou que negocia a produção de uma série documental para apresentar as descobertas e acompanhar as próximas etapas da investigação sobre um dos naufrágios históricos mais bem preservados do Mar Báltico.

Acompanhe tudo sobre:NaufrágiosCuriosidades

Mais de Ciência

Substância experimental para Lito Sousa chega ao Brasil após autorização da Anvisa

Quando começa a Primavera 2026? Veja a data e como será a estação

James Webb vê pontos vermelhos no espaço — e eles podem revelar 'grande mistério' do Universo

Câncer na Geração Z: por que os hábitos dos jovens acendem alerta e preocupam médicos?