Ciência

Naufrágio bizantino revela raro tesouro de ouro no Mar Mediterrâneo

Achado na costa da Croácia reúne joias, moedas e um anel de sinete que reforçam a hipótese de que um integrante da elite imperial viajava na embarcação

Naufrágio: arqueólogos recuperaram cerca de 600 gramas de artefatos de ouro no fundo do Mar Mediterrâneo (Croatian Conservation Institute)

Naufrágio: arqueólogos recuperaram cerca de 600 gramas de artefatos de ouro no fundo do Mar Mediterrâneo (Croatian Conservation Institute)

Publicado em 30 de julho de 2026 às 23h57.

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Um naufrágio bizantino localizado próximo à ilha de Mljet, na costa da Croácia, revelou uma das mais raras cargas de ouro já encontradas no Mar Mediterrâneo.

O conjunto reúne joias, moedas e um anel de sinete que pode ter pertencido a um alto funcionário do Império Bizantino, levantando a hipótese de que a embarcação transportava uma missão diplomática, e não apenas mercadorias.

Segundo um comunicado divulgado pelo Instituto Croata de Conservação, os artefatos restaurados somam cerca de 600 gramas de ouro, volume considerado excepcional para um sítio arqueológico desse tipo.

Joias de luxo nunca haviam sido encontradas em um naufrágio

De acordo com informações da revista Smithsonian, as escavações no local começaram em 2015 e já passaram por nove campanhas arqueológicas. O naufrágio integra um projeto conduzido pelo Instituto Croata de Conservação, que há 19 anos pesquisa embarcações antigas na região e já identificou 20 naufrágios datados entre o século II a.C. e o século XVI.

Entre os objetos recuperados estão quatro adornos completos de cintos feitos de ouro, além de fivelas e ponteiras decoradas com esmeraldas, rubis e pérolas.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de adorno era utilizado por altos dignitários bizantinos e nunca havia sido encontrado preservado no fundo do Mar Mediterrâneo.

Anel pode indicar presença de um alto funcionário imperial

Outro destaque da descoberta é um anel de sinete de ouro com a imagem de um imperador da dinastia de Heráclio.

De acordo com o Instituto Croata de Conservação, esse tipo de peça só podia ser utilizado por pessoas autorizadas a autenticar documentos imperiais. Por isso, os arqueólogos acreditam que o anel possa ter pertencido a um alto funcionário do governo ou das forças militares bizantinas, ou até mesmo ter sido um presente diplomático.

Também foram encontradas moedas de ouro cunhadas durante o reinado de quatro imperadores da mesma dinastia, o que pode ajudar a determinar com maior precisão quando a embarcação afundou.

Carga combinava objetos de luxo e mercadorias

Além das joias e moedas, os pesquisadores recuperaram ânforas, recipientes de cerâmica, tigelas, pratos, jarros, balanças utilizadas em transações comerciais e fichas de marfim.

O conjunto indica que o navio transportava tanto produtos comerciais quanto objetos de alto valor destinados à elite bizantina.

Segundo Igor Miholjek, chefe das pesquisas do Instituto Croata de Conservação, em entrevista à National Geographic, a carga encontrada não se parece com a de uma embarcação mercante comum.

Para o arqueólogo, a presença de artefatos ligados diretamente ao imperador reforça a hipótese de que o navio transportava um representante da elite bizantina, possivelmente encarregado de uma missão diplomática. Outra possibilidade é que um integrante da aristocracia estivesse apenas viajando como passageiro.

Artefatos de ouro recuperados do naufrágio. Foto: Croatian Conservation Institute

Artefatos de ouro recuperados do naufrágio. Foto: Croatian Conservation Institute (Croatian Conservation Institute)

Peças de cerâmica no fundo do Mar Mediterrâneo. Foto: Croatian Conservation Institute

Peças de cerâmica no fundo do Mar Mediterrâneo. Foto: Croatian Conservation Institute

Porto seguro acabou se tornando uma armadilha

Os pesquisadores acreditam que o navio afundou ao tentar buscar abrigo de uma tempestade na baía de Polače, na ilha de Mljet.

Durante o período bizantino, a região ocupava uma posição estratégica nas rotas marítimas entre o Mediterrâneo oriental e ocidental e era considerada um porto seguro para navegadores que cruzavam o Mar Adriático.

Em vez de encontrar proteção, porém, a embarcação afundou no local, preservando por mais de 1.300 anos um conjunto de objetos que hoje ajuda arqueólogos a compreender melhor as relações comerciais, políticas e diplomáticas do Império Bizantino.

De acordo com a revista, as pesquisas agora continuam com a participação de especialistas da Universidade Stanford, que analisam as ânforas e a cerâmica recuperadas, enquanto arqueólogos, numismatas e historiadores estudam as técnicas de fabricação das joias, as moedas e o contexto histórico da embarcação.

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