Ciência

Nasa identifica nova cratera na Lua criada por asteroide há dois anos; veja imagens

A formação, identificada pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, é a maior cratera recente já registrada no Sistema Solar e pode ajudar cientistas a entender os riscos para futuras missões lunares

Imagem da nova cratera lunar descoberta pela Nasa (Nasa/Divulgação)

Imagem da nova cratera lunar descoberta pela Nasa (Nasa/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 09h33.

Última atualização em 17 de setembro de 2026 às 09h39.

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RESUMO | A sonda LRO, da Nasa, confirmou em outubro de 2025 uma nova cratera na Lua, formada entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 após o impacto de um fragmento de asteroide ou cometa. Com 222 metros de diâmetro e até 43 metros de profundidade, McGetchin é, segundo pesquisadores, a maior cratera recente já registrada no Sistema Solar.


Uma nova cratera com aproximadamente 222 metros de diâmetro e até 43 metros de profundidade foi localizada na superfície da Lua pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da Nasa.

A estrutura se formou entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 após a colisão de um fragmento de asteroide ou cometa com dimensões estimadas entre um prédio de três e seis andares contra o solo lunar.O impacto não foi identificado no momento em que ocorreu e só foi confirmado em outubro de 2025, após uma análise de imagens captadas pela missão.

A cratera recebeu o nome de McGetchin, em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin. Segundo pesquisadores, ela passou a ser a maior cratera recente já registrada no Sistema Solar. O tamanho da formação corresponde a cerca de dois campos de futebol e supera em aproximadamente três vezes a antiga recordista encontrada pela própria LRO.

A identificação aconteceu durante uma análise de rotina dos dados da missão. Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da Intuitive Machines, empresa que atua com informações do sistema Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC), examinava mapas da superfície lunar em 24 de outubro de 2025 quando encontrou uma região com brilho incomum cercada por uma área escura.

Wagner comparou imagens da Lua registradas antes e depois do período estimado do impacto e constatou que a alteração correspondia ao surgimento de uma nova cratera. Os pesquisadores calculam que colisões desse tamanho acontecem na Lua em intervalos de aproximadamente um século ou até períodos mais longos, tornando o registro um evento considerado raro em estudos sobre impactos espaciais.

Imagem da nova cratera lunar descoberta pela Nasa

Imagem da nova cratera lunar descoberta pela Nasa (Nasa/Divulgação)

A análise também indicou que os efeitos da colisão ultrapassaram os limites da cavidade formada. De acordo com Mark Robinson, cientista-chefe das câmeras da LRO, o impacto espalhou poeira e fragmentos rochosos por uma área superior a 100 quilômetros ao redor do ponto atingido.

Imagens feitas pela câmera de alta resolução da LRO permitiram determinar o formato e as dimensões da cratera, além de avaliar como o terreno próximo foi alterado. Os dados devem ajudar os cientistas a calcular com maior precisão características do objeto que atingiu a Lua, como tamanho e energia liberada.

A sonda LRO está em operação na órbita lunar há mais de 17 anos e já identificou pelo menos mil novas crateras de impacto, além de cerca de 100 mil mudanças na superfície provocadas por colisões e pelo material expelido nesses eventos.

Como a Lua praticamente não possui atmosfera, objetos espaciais não sofrem uma redução significativa de velocidade antes de alcançar o solo. Por esse motivo, fragmentos de rocha conseguem atingir diretamente a superfície. A maior parte dos impactos registrados, porém, envolve objetos menores, e as menores crateras detectáveis pela LRO possuem cerca de 9 metros de largura.

Impacto modificou temperatura e características do solo lunar

Imagem da nova cratera lunar descoberta pela Nasa

Imagem da nova cratera lunar descoberta pela Nasa (Nasa/Divulgação)

Após a descoberta da cratera, pesquisadores analisaram a região com o instrumento térmico Diviner, instalado na LRO. Os dados indicaram que uma área de aproximadamente 7 quilômetros ao redor da formação apresenta temperaturas cerca de 9 graus Celsius menores durante a noite em comparação com áreas próximas.

Segundo os cientistas, a diferença térmica está relacionada à alteração do regolito, camada formada por poeira e fragmentos rochosos que cobre a superfície lunar. O impacto movimentou esse material e deixou o solo mais solto, modificando a forma como a região absorve e libera calor.

A mudança provocada pelo impacto alcançou uma área muito maior que a própria cratera, um fator que pode influenciar o planejamento de futuras missões com veículos robóticos e equipamentos instalados na superfície lunar.

O pesquisador David Paige, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), comparou o efeito da colisão ao processo de revolvimento do solo em uma atividade de jardinagem. Segundo ele, impactos desse tipo podem expor materiais que estavam abaixo da camada superficial e alterar a composição da região atingida.

A frequência dessas colisões também fornece informações para o planejamento de futuras estruturas na Lua. A Nasa pretende ampliar atividades científicas e comerciais no satélite natural, o que exige estudos sobre como o ambiente lunar muda após impactos de objetos espaciais.

Segundo Mark Robinson, a análise dos impactos registrados pela LRO indica que a camada superficial do solo lunar, com cerca de 2 centímetros de espessura, passa por alterações frequentes. O cientista também afirmou que marcas deixadas por astronautas das missões Apollo não devem permanecer preservadas por longos períodos.

O próximo passo dos pesquisadores é calcular a possibilidade de materiais lançados por impactos semelhantes alcançarem locais destinados a futuras bases lunares. Essas informações poderão auxiliar engenheiros no desenvolvimento de estruturas projetadas para suportar colisões e a chegada de fragmentos expelidos durante novos impactos.


Como surgiu a cratera McGetchin na Lua?

A cratera McGetchin surgiu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 após a colisão de um fragmento de asteroide ou cometa com a superfície lunar. O objeto teria dimensões equivalentes às de um prédio de três a seis andares.

Qual é o tamanho da nova cratera descoberta pela Nasa?

A cratera McGetchin possui aproximadamente 222 metros de diâmetro e até 43 metros de profundidade, tamanho equivalente a cerca de dois campos de futebol. Segundo pesquisadores, ela é aproximadamente três vezes maior que a antiga recordista identificada pela LRO.

Como a cratera McGetchin foi descoberta?

Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da Intuitive Machines, encontrou em 24 de outubro de 2025 uma região com brilho incomum cercada por uma área escura. Ao comparar imagens anteriores e posteriores ao impacto, Wagner constatou o surgimento da cratera.

Até onde chegaram a poeira e os fragmentos lançados pelo impacto?

O impacto espalhou poeira e fragmentos rochosos por uma área superior a 100 quilômetros ao redor da cratera, de acordo com Mark Robinson, cientista-chefe das câmeras da LRO.

Como o impacto alterou a temperatura do solo lunar?

Dados do instrumento Diviner indicaram que uma área de aproximadamente 7 quilômetros ao redor da cratera fica cerca de 9 graus Celsius mais fria durante a noite. Segundo os cientistas, o impacto deixou o regolito mais solto e modificou a forma como o solo absorve e libera calor.

Com que frequência impactos desse tamanho acontecem na Lua?

Os pesquisadores calculam que colisões desse porte ocorram na Lua em intervalos de aproximadamente um século ou até mais longos. A ausência de uma atmosfera significativa permite que fragmentos espaciais atinjam o solo lunar sem grande redução de velocidade.

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