Sistema Solar: Observações da estrela HOPS-315 revelam como poeira e gás começam a formar os primeiros blocos de novos plane (Magnific/Divulgação)
Repórter
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16h55.
Última atualização em 16 de setembro de 2026 às 17h01.
RESUMO | A jovem estrela HOPS-315, observada com o ALMA no deserto do Atacama e com o telescópio James Webb, revelou sinais de uma fase inicial da formação planetária, quando gás e poeira começam a originar sólidos. Minerais de silicato no disco protoplanetário ajudam a investigar processos semelhantes aos vividos pelo Sistema Solar há cerca de 4,6 bilhões de anos.
Uma jovem estrela observada no deserto do Atacama abriu uma janela para uma das etapas mais antigas da formação planetária: o momento em que poeira e gás começam a se transformar nos blocos que podem dar origem a novos mundos.
A estrela HOPS-315 chamou a atenção de astrônomos por preservar sinais de um processo que ocorreu há bilhões de anos no nosso próprio Sistema Solar, quando o Sol ainda estava cercado por um disco de material que daria origem aos planetas.
Localizada em uma região conhecida como berçário estelar, onde novas estrelas surgem a partir de grandes nuvens de gás e poeira, a HOPS-315 apresenta um disco protoplanetário, estrutura formada por partículas que orbitam uma estrela recém-nascida. Nesse ambiente, pequenos grãos de matéria começam a se unir e formam os primeiros elementos sólidos necessários para a construção de planetas.
O estudo desse sistema permite observar uma fase inicial da evolução planetária, quando partículas microscópicas começam a criar estruturas maiores por meio de processos químicos e gravitacionais. A análise desses estágios ajuda os pesquisadores a compreender como surgem os primeiros componentes de planetas rochosos semelhantes à Terra.
A observação da HOPS-315 foi possível com o uso combinado de dois dos principais instrumentos da astronomia moderna: o ALMA, Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, e o James Webb, telescópio espacial especializado em observações no infravermelho.
Instalado no Chile, o ALMA analisou as ondas de rádio emitidas pelo material ao redor da estrela. Os dados coletados permitiram identificar características do disco protoplanetário, incluindo a distribuição da matéria e as condições físicas presentes durante a formação dos primeiros sólidos.
O James Webb complementou essas observações ao detectar assinaturas de radiação infravermelha. Essa tecnologia permitiu estudar a composição química da região e identificar elementos presentes na poeira interestelar que envolve a jovem estrela.
A combinação das informações obtidas pelos dois observatórios revelou detalhes sobre uma etapa que normalmente ocorre escondida dentro de nuvens densas de gás e poeira cósmica.Um dos pontos centrais da observação da HOPS-315 é a presença de minerais de silicato, compostos encontrados em muitos corpos rochosos, incluindo planetas e asteroides do Sistema Solar.
Esses minerais representam uma fase importante da transformação da matéria no espaço. Durante o resfriamento do material ao redor da estrela, elementos que antes estavam em estado gasoso podem se condensar e formar pequenos grãos sólidos.
Com o avanço desse processo, partículas microscópicas começam a colidir e se unir pela ação da gravidade. Ao longo de milhões de anos, essa acumulação pode gerar objetos cada vez maiores, capazes de alterar a dinâmica do sistema em formação.
Os principais processos envolvidos nessa etapa incluem:
O deserto do Atacama, no Chile, abriga algumas das principais instalações astronômicas do mundo devido às características do ambiente. A região possui elevada altitude, baixa umidade e pouca interferência causada pela iluminação urbana.
Essas condições reduzem obstáculos para observações de alta precisão, principalmente em frequências de rádio utilizadas por equipamentos como o ALMA. O local permite captar sinais extremamente fracos vindos de regiões distantes do universo.
Entre os fatores que favorecem pesquisas astronômicas no Atacama estão:
A análise da HOPS-315 também ajuda pesquisadores a comparar a formação de outros sistemas planetários com a origem da nossa própria vizinhança cósmica. O Sol, há cerca de 4,6 bilhões de anos, passou por uma fase semelhante, cercado por um disco de gás e poeira que deu origem aos planetas.
Ao estudar uma estrela jovem em uma fase inicial de desenvolvimento, os astrônomos conseguem reunir informações sobre processos que podem ter ocorrido durante os primeiros momentos da formação da Terra e dos demais planetas do Sistema Solar.Os dados obtidos a partir desses sistemas distantes ampliam o entendimento sobre como elementos químicos, partículas sólidas e forças gravitacionais atuam na criação de novos mundos. As próximas observações com telescópios avançados devem revelar novas etapas desse processo em diferentes regiões da galáxia.
A HOPS-315 revela uma fase inicial da formação planetária, na qual partículas de gás e poeira começam a formar os primeiros sólidos. Esses materiais podem crescer por meio de processos químicos e gravitacionais até originar núcleos planetários.
O ALMA analisou ondas de rádio emitidas pelo material ao redor da HOPS-315, enquanto o James Webb detectou assinaturas de radiação infravermelha. A combinação permitiu estudar a distribuição da matéria, as condições físicas e a composição química do disco protoplanetário.
Os minerais de silicato representam uma etapa importante na formação de corpos rochosos. Eles surgem quando elementos em estado gasoso se condensam em grãos sólidos, que podem colidir, se unir e formar estruturas maiores.
A HOPS-315 permite comparar a formação de outros sistemas planetários com a origem do Sistema Solar. Há cerca de 4,6 bilhões de anos, o Sol também estava cercado por um disco de gás e poeira que deu origem aos planetas.
O deserto do Atacama favorece observações astronômicas por apresentar elevada altitude, baixa umidade e pouca poluição luminosa. Essas condições reduzem a interferência atmosférica e ajudam o ALMA a captar sinais de rádio extremamente fracos.