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Japão passa da marca de 100 mil pessoas com mais de 100 anos: o que explica a longevidade recorde?

A longevidade japonesa combina hábitos alimentares, atividade física e avanços médicos, mas ocorre em meio a uma transformação populacional

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16h37.

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RESUMO | O Japão superou pela primeira vez a marca de 100 mil pessoas com 100 anos ou mais, com 107.677 centenários no levantamento mais recente do Ministério da Saúde; 88% são mulheres. O avanço da longevidade ocorre em meio à queda da natalidade e às projeções de redução da população japonesa para 87 milhões até 2070.


O Japão ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 mil pessoas com 100 anos ou mais, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país. O levantamento registrou 107.677 centenários, número que mantém o país entre as nações com maior quantidade de idosos nessa faixa etária. Do total, 88% são mulheres.

Kishimoto Fuyo, de 114 anos, é a mulher mais velha registrada no levantamento. Natural de Kyoto, ela representa o grupo de pessoas que alcançaram uma idade centenária no país. Entre os homens, o registro mais alto pertence a Kato Hikaru, de 112 anos, da cidade de Kumamoto.

O ministro da Saúde, Kenichiro Ueno, afirmou que o crescimento do número de pessoas que chegam aos 100 anos está relacionado aos avanços da medicina e da tecnologia. O governo também acompanha os impactos desse envelhecimento sobre a sustentabilidade do sistema de previdência social.

O aumento da longevidade acontece ao mesmo tempo em que o Japão enfrenta uma redução no número de habitantes e uma queda histórica na taxa de natalidade.

Especialistas apontam diferentes fatores para a expectativa de vida elevada dos japoneses, incluindo hábitos alimentares e uma rotina com maior nível de atividade física. A culinária tradicional do país tem como base alimentos como peixes, verduras e arroz, com menor presença de gorduras saturadas em comparação com diversas dietas ocidentais.

Parte da população idosa mantém atividades como caminhadas, uso de transporte público, deslocamentos de bicicleta e exercícios regulares.

Envelhecimento muda a estrutura da população japonesa

O crescimento da população idosa alterou hábitos de consumo no Japão. A venda de fraldas geriátricas, por exemplo, superou a comercialização de fraldas para bebês há mais de uma década.

Empresas também passaram a desenvolver produtos voltados para idosos, como um exoesqueleto motorizado, equipamento criado para auxiliar movimentos do corpo, e óculos capazes de ajustar automaticamente o foco.

O país também registra uma queda contínua nos nascimentos. Para manter o tamanho da população, a taxa de fecundidade precisa ficar próxima de 2,1 filhos por mulher. No último ano citado pelo levantamento, o índice japonês chegou a 1,14, o menor nível registrado.

Projeções do Instituto Nacional de População e Previdência Social indicam que a população do Japão pode cair para 87 milhões de habitantes até 2070, uma redução de cerca de 30% em relação ao pico de 128 milhões registrado em 2008.

Atualmente, moradores com 65 anos ou mais representam cerca de 30% da população japonesa. A expectativa é que essa parcela alcance quase 40% até 2070.

As autoridades japonesas classificam a redução populacional como um dos principais desafios nacionais. A primeira-ministra Sanae Takichi chamou o processo de "emergência silenciosa". Em 2025, 45 das 47 províncias do país registraram queda populacional.

Programas públicos e subsídios foram criados para incentivar jovens a terem filhos, mas os indicadores de natalidade continuam em queda. Especialistas apontam fatores como a redução no número de casamentos, mudanças na participação feminina no mercado de trabalho e o aumento dos custos para criar crianças.

A imigração aumentou nos últimos anos, mas estrangeiros representam cerca de 3% da população japonesa. O tema também passou a fazer parte do debate sobre alternativas para compensar a redução demográfica.

Registro de centenários cresceu de 153 para mais de 107 mil

O Japão iniciou seu levantamento de centenários em 1963. Na época, havia 153 pessoas com 100 anos ou mais registradas no país.

O número chegou a 1 mil em 1981, ultrapassou 10 mil em 1998 e alcançou 107.677 no levantamento mais recente.

Os dados foram divulgados antes do feriado anual de "Respeito aos Idosos", quando o governo japonês homenageia cidadãos que completam 100 anos com uma carta e um copo tradicional de saquê.

Estudos anteriores questionaram a precisão dos registros de centenários no país. Pesquisadores apontaram problemas como falhas em bancos de dados públicos, registros desatualizados e ausência de documentos de nascimento em determinados casos.

Uma auditoria realizada pelo governo japonês em 2010 encontrou mais de 230 mil pessoas registradas como centenárias que não puderam ser localizadas. Parte delas havia morrido décadas antes.

As inconsistências foram relacionadas a falhas na atualização dos registros familiares e a casos em que parentes teriam informado incorretamente a situação de idosos para manter benefícios de aposentadoria.


Quantas pessoas com 100 anos ou mais vivem no Japão?

O Japão tem 107.677 pessoas com 100 anos ou mais, segundo o levantamento mais recente do Ministério da Saúde do país. Desse total, 88% são mulheres.

Quem são as pessoas mais velhas registradas no Japão?

Kishimoto Fuyo, de 114 anos e natural de Kyoto, é a mulher mais velha registrada no levantamento. Entre os homens, o recorde pertence a Kato Hikaru, de 112 anos, da cidade de Kumamoto.

Por que o número de centenários aumentou no Japão?

O crescimento está relacionado aos avanços da medicina e da tecnologia, segundo o ministro da Saúde, Kenichiro Ueno. Especialistas também apontam fatores como alimentação baseada em peixes, verduras e arroz e uma rotina com maior nível de atividade física.

Como evoluiu o número de centenários no Japão?

O número de centenários passou de 153 em 1963 para 107.677 no levantamento mais recente. O total chegou a 1 mil em 1981 e ultrapassou 10 mil em 1998.

Quanto a população do Japão pode diminuir até 2070?

A população japonesa pode cair para 87 milhões de habitantes até 2070, segundo projeções do Instituto Nacional de População e Previdência Social. O número representa uma redução de cerca de 30% em relação ao pico de 128 milhões registrado em 2008.

Os registros de centenários do Japão são precisos?

Estudos anteriores apontaram falhas em bancos de dados, registros desatualizados e ausência de documentos de nascimento. Em 2010, uma auditoria do governo japonês encontrou mais de 230 mil pessoas registradas como centenárias que não puderam ser localizadas, incluindo pessoas que haviam morrido décadas antes.

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