Starship: novo teste terá perfil diferente dos 13 voos anteriores, que foram suborbitais (Manuel Mazzanti/NurPhoto/Getty Images)
Redatora
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16h01.
A SpaceX marcou para 22 de setembro o próximo lançamento da Starship, que tentará alcançar a órbita da Terra pela primeira vez. O Voo 14 será o teste mais ambicioso do megarroquete até agora, com seis voltas ao redor do planeta e a implantação de 26 satélites Starlink V3.
A missão partirá da Starbase, base da empresa no sul do Texas, durante uma janela de lançamento de 75 minutos que começa às 8h15 no horário da costa leste dos Estados Unidos (9h15 no horário de Brasília). As informações constam na descrição do Voo 14 divulgada pela própria SpaceX na última terça-feira, 15.
A Starship estreou em abril de 2023 e já realizou 13 voos, incluindo dois em 2026. Todos, porém, foram suborbitais. Por isso, alcançar a órbita representará uma nova etapa no desenvolvimento do veículo, projetado para ser totalmente e rapidamente reutilizável.
Se a missão ocorrer como planejado, o estágio superior da Starship, chamado Ship, completará seis órbitas ao redor da Terra a aproximadamente 275 quilômetros de altitude.
Depois, a nave realizará uma manobra para retornar à atmosfera e amerissar no Oceano Pacífico, a oeste do Chile. Todo o voo deve durar cerca de dez horas.
O primeiro estágio, chamado Super Heavy, terá uma trajetória diferente. A previsão é que ele retorne e amerisse no Golfo do México cerca de sete minutos após a decolagem.
O plano representa uma mudança significativa em relação aos testes suborbitais realizados pela Starship até agora. Veja as principais diferenças:
A empresa já conseguiu capturar o Super Heavy com a torre em três ocasiões, mas nunca realizou a manobra com o estágio superior. De acordo com a empresa, esse teste ficará para missões futuras.
Outro marco do Voo 14 será o transporte dos primeiros satélites Starlink V3 destinados à constelação de internet da SpaceX.
Atualmente, a rede possui mais de 11 mil satélites ativos em órbita baixa da Terra, mas nenhum pertence à versão V3. O novo modelo é maior e mais potente e foi projetado para ser transportado pela Starship. Segundo a SpaceX, essa geração deverá ampliar a velocidade e a confiabilidade da conectividade oferecida pela constelação.
Três dos equipamentos transportados também terão uma função adicional. Eles foram equipados com câmeras para fotografar o escudo térmico do Ship após a implantação.
As imagens serão utilizadas para avaliar o desempenho da proteção durante a passagem pela atmosfera terrestre e identificar possíveis melhorias.
Embora alcançar a órbita seja um marco importante, outros testes estão previstos para as próximas etapas de desenvolvimento. Um deles será a captura do Ship pelos braços mecânicos da torre da Starbase. A estratégia faz parte dos planos da SpaceX para acelerar a recuperação e reutilização do sistema.
Outro desafio será demonstrar o reabastecimento da Starship em órbita, tecnologia necessária para missões mais distantes. A empresa desenvolve o veículo para transportar grandes cargas e tripulações ao espaço, com planos que incluem futuras viagens à Lua e a Marte.