Ciência

Nasa busca cavernas escondidas na Lua — e elas podem ser chave para futura base

Agência selecionou três pesquisas para localizar abrigos subterrâneos, identificar reservas de gelo e avaliar riscos aos astronautas

Base lunar: Nasa estuda cavernas, gelo e riscos para futuras missões na Lua (Reprodução/Nasa)

Base lunar: Nasa estuda cavernas, gelo e riscos para futuras missões na Lua (Reprodução/Nasa)

Publicado em 12 de outubro de 2026 às 09h00.

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A Nasa selecionou três novas investigações científicas para preparar a construção de sua primeira base lunar. Os projetos vão procurar cavernas subterrâneas, identificar depósitos de gelo e monitorar riscos que podem ameaçar astronautas na superfície da Lua.

Segundo comunicado divulgado pela agência espacial americana, as pesquisas fazem parte dos preparativos para estabelecer uma presença humana permanente no satélite natural da Terra.

Os instrumentos serão enviados à Lua por meio da iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), que utiliza empresas privadas para transportar equipamentos científicos.

As investigações também integram o programa Artemis, responsável pelos planos de retorno de astronautas à superfície lunar.

Cavernas podem proteger astronautas

Uma das pesquisas vai investigar a existência de grandes túneis subterrâneos que poderiam funcionar como abrigos naturais para astronautas.

O projeto, chamado GIMLI, utilizará instrumentos geofísicos para examinar a região de Marius Hills, conhecida por apresentar uma abertura na superfície lunar. Os cientistas querem descobrir se essa abertura está conectada a um tubo de lava subterrâneo.

Essas estruturas se formam quando a parte externa de um fluxo de lava esfria e endurece. Enquanto isso, o material derretido continua avançando pelo interior.

Quando a lava escoa completamente, pode deixar túneis vazios sob a superfície. Caso sejam confirmados, esses espaços poderão ajudar a proteger astronautas contra radiação, temperaturas extremas e impactos de micrometeoritos.

A descoberta também poderá influenciar a escolha dos locais onde futuros habitats lunares serão instalados.

Gelo lunar pode fornecer água e oxigênio

Outra investigação, chamada DISCO, vai procurar depósitos de gelo escondidos em pequenas regiões permanentemente frias da Lua. Essas áreas recebem pouca ou nenhuma luz solar direta, permitindo a preservação de água congelada.

O objetivo é identificar onde o gelo está localizado e determinar sua quantidade. A presença desse recurso pode ser importante para futuras missões, já que transportar água da Terra exige grandes quantidades de combustível e recursos.

O gelo lunar poderia ser utilizado para fornecer água aos astronautas e, após processamento, produzir oxigênio e hidrogênio.

Além disso, o DISCO vai analisar a estabilidade do solo e os efeitos provocados pelos gases liberados durante o pouso de espaçonaves. Essas informações poderão ajudar no desenvolvimento de operações mais seguras na superfície.

Tremores e impactos serão monitorados

A terceira investigação será conduzida pela Estação de Monitoramento do Ambiente Lunar – Polo Sul (LEMS-SP). O equipamento funcionará de maneira autônoma para acompanhar possíveis ameaças à futura infraestrutura lunar.

Entre os fenômenos monitorados estão os impactos de micrometeoritos, pequenos fragmentos espaciais que atingem a superfície. Diferentemente da Terra, a Lua não possui uma atmosfera densa capaz de destruir a maioria desses objetos antes do impacto.

A estação também terá um sismômetro para detectar tremores lunares e outras vibrações do solo. Os dados poderão orientar a construção de estruturas mais resistentes e a instalação de equipamentos científicos.

Quando a base lunar será construída?

A Nasa ainda não informou uma data específica para a instalação da base lunar anunciada. Antes disso, a agência pretende ampliar a frequência das missões e reunir informações sobre as condições ambientais do satélite.

Os resultados das três investigações poderão orientar a escolha de locais, o desenvolvimento de equipamentos e o aproveitamento de recursos naturais.

Além de apoiar a permanência de astronautas na Lua, o conhecimento adquirido poderá contribuir para futuras missões tripuladas a Marte.

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