Matéria escura: descoberta sugere que partículas invisíveis podem interagir além da gravidade (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 8 de agosto de 2026 às 08h15.
Uma força invisível entre partículas de matéria escura pode estar influenciando a evolução do Universo de uma forma inesperada, de acordo com um estudo publicado no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics (JCAP). Em vez de acelerar a formação de galáxias e outras grandes estruturas cósmicas, como os cientistas imaginavam, essa interação parece reduzir seu ritmo de crescimento.
A conclusão são dos cientistas do Perimeter Institute for Theoretical Physics e da SISSA (Escola Internacional de Estudos Avançados), na Itália. Os resultados indicam que uma força adicional, atuando exclusivamente sobre a matéria escura, pode enfraquecer gradualmente sua influência gravitacional à medida que o Universo se expande.
A hipótese surgiu porque algumas medições da expansão do Universo e da formação das grandes estruturas cósmicas apresentam pequenas diferenças em relação às previsões do modelo cosmológico padrão.
Embora essas discrepâncias sejam sutis, elas levaram os pesquisadores a considerar que a matéria escura — conhecida apenas por seus efeitos gravitacionais — possa ter outras interações ainda desconhecidas.
O modelo mais aceito atualmente considera que esse componente interage praticamente apenas por meio da gravidade. Para testar uma hipótese diferente, os pesquisadores combinaram cálculos teóricos com dados cosmológicos e analisaram um cenário em que partículas de matéria escura também exercem entre si uma força atrativa de longo alcance.
Os pesquisadores analisaram um modelo em que as partículas de matéria escura exercem uma força atrativa entre si. A expectativa inicial era que essa atração extra facilitasse o agrupamento dessas partículas e acelerasse a formação de galáxias e de outras estruturas em grande escala.
Os cálculos, porém, revelaram que outro processo ocorre simultaneamente. Segundo o estudo, a mesma interação que aproxima as partículas faz com que elas se tornem efetivamente mais leves conforme o Universo se expande. Com isso, a diminuição da influência gravitacional acaba compensando o efeito da atração adicional.
Como consequência, em vez de impulsionar a formação das grandes estruturas do Universo, o efeito combinado tende a desacelerar esse processo na maior parte dos cenários analisados.
Para os autores, o resultado mostra que a evolução do Universo pode ser mais complexa do que sugerem os modelos cosmológicos atuais.