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Opinião: Os data centers são os novos protagonistas da economia

ReData reforça papel dos data centers como base para economia digital, inteligência artificial e novos investimentos no Brasil

Data centers deixam de ser apenas estruturas de tecnologia e passam a ocupar papel estratégico na economia brasileira (KM Stock/Shutterstock)

Data centers deixam de ser apenas estruturas de tecnologia e passam a ocupar papel estratégico na economia brasileira (KM Stock/Shutterstock)

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Publicado em 18 de setembro de 2026 às 10h00.

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Por Fernanda Belchior, Diretora de Marketing e Vendas da Elea Data Centers.

Ainda faz sentido pensar nos data centers apenas como infraestrutura de tecnologia?

Durante muito tempo, data centers foram tratados como estruturas de suporte à economia digital, responsáveis por armazenar informações e manter sistemas funcionando nos bastidores das empresas. Hoje, essa definição já não é suficiente.

Uma parcela crescente da economia depende diretamente dessa infraestrutura. Pagamentos são processados em tempo real; empresas operam sistemas e serviços na nuvem; cadeias logísticas dependem de informações disponíveis continuamente; governos digitalizam o acesso a serviços públicos; e aplicações de inteligência artificial demandam cada vez mais capacidade computacional.

Quando uma infraestrutura deixa de apenas apoiar determinadas atividades e passa a ser condição para que elas funcionem, seu papel econômico também muda.

É nesse contexto que os data centers deixam de ser apenas parte da infraestrutura de tecnologia e passam a integrar a infraestrutura econômica do país.

E é nesse contexto, também, que o ReData ganha relevância: um marco regulatório capaz de transformar as vantagens do país em motor de desenvolvimento.

ReData e a modernização regulatória

Mais do que um regime especial de tributação para o setor, a medida representa um movimento de modernização regulatória diante de uma infraestrutura que passou a exercer uma função econômica mais ampla.

Se a economia mudou, a regulação também precisa acompanhar essa transformação.

Não é possível imaginar, hoje, o Brasil sem Pix ou sem streaming, então não poderia ser possível imaginar sem um robusto ecossistema de data centers.

Essa mudança não aconteceu de uma vez, mas foi construída ao longo dos últimos anos com a digitalização de empresas, serviços financeiros e governos, e ganhou escala exponencial com a inteligência artificial.

Quanto mais a economia depende de dados e processamento, mais estratégica se torna a infraestrutura que permite que essas atividades funcionem.

Investimentos, previsibilidade e competitividade

É por isso que o ambiente regulatório precisa acompanhar essa mudança.

Infraestruturas estratégicas e intensivas em capital, como os data centers, exigem regras capazes não apenas de estabelecer obrigações, mas de criar condições para investimentos de longo prazo.

Nesse contexto, previsibilidade é crucial.

O ReData responde a parte desse desafio ao criar um ambiente mais previsível e competitivo para investimentos em uma atividade intensiva em capital.

Mas seu impacto vai além da questão tributária.

A segurança sobre as regras permite que investimentos sejam estruturados com horizonte maior e que outros agentes tomem decisões a partir delas.

Isso se aplica à construção dos empreendimentos e à formação de mão de obra qualificada para sua operação.

É nesse ponto que o marco regulatório passa a funcionar como alavanca para o desenvolvimento de uma atividade estratégica, beneficiando direta e indiretamente toda a cadeia.

Em infraestrutura, previsibilidade também é competitividade.

Para o capital de longo prazo, um ambiente regulatório estável é parte das condições que determinam onde investir e em que escala.

Modernizar esse ambiente, portanto, também é uma forma de aumentar a capacidade do Brasil atrair investimentos.

Inteligência artificial e soberania digital

Esse debate ganha uma nova dimensão com o avanço da inteligência artificial e a crescente preocupação com soberania digital.

Segundo o Gartner, 70% dos CEOs consideram a soberania tecnológica importante ou muito importante, enquanto 35% já a colocam entre as cinco principais preocupações do comitê executivo.

O dado é um ativo estratégico, e sua localização é apenas parte da equação.

A discussão passa por controle e continuidade: quem pode acessá-lo, qual legislação se aplica, de quais fornecedores uma organização depende e se ela consegue continuar operando caso um fornecedor, uma região ou uma tecnologia fique indisponível.

Nesse cenário, a infraestrutura física volta ao centro da estratégia digital.

Cloud e inteligência artificial dependem de data centers, energia, conectividade e capacidade computacional.

Para o Brasil, isso significa que soberania digital não deve ser entendida como isolamento tecnológico, mas como capacidade de construir opcionalidade, reduzir dependências críticas e garantir que empresas e governos tenham condições de manter suas operações.

É também uma questão de competitividade: segundo o Gartner, 60% dos CEOs associam soberania a preocupações de segurança e 43% a riscos competitivos.

Infraestrutura computacional como estratégia de desenvolvimento

Por isso, o ReData deve ser entendido como parte de uma mudança maior: o reconhecimento de que a infraestrutura computacional passou a ocupar um papel estratégico na economia e, por isso, precisa de condições adequadas para se desenvolver no país.

A discussão daqui para frente deve considerar qual capacidade computacional o Brasil quer construir e como ela pode sustentar sua próxima etapa de desenvolvimento.

O regime não encerra essa agenda, mas sinaliza uma mudança importante: a regulação pode assumir um papel protagonista dentro da agenda de transformação econômica e ajudar a criar as condições para que novas competências sejam construídas.

Quando uma infraestrutura passa a sustentar serviços essenciais, atividades empresariais, inteligência artificial e novas cadeias de inovação, ela deixa de ser apenas infraestrutura tecnológica. Passa a ser infraestrutura econômica e, cada vez mais, estratégica para o país.

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