Mercado Imobiliário

Itaú aluga prédio inteiro da Eztec por R$ 1,17 bi e reforça aposta na Chucri Zaidan

Esther Towers tem 91,4 mil metros quadrados de área locável e contrato de 10 anos; BTG e Safra veem operação como destravadora de valor para incorporadora

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 10h01.

Última atualização em 18 de setembro de 2026 às 16h14.

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O Itaú Unibanco fechou um dos maiores movimentos recentes do mercado imobiliário corporativo de São Paulo ao alugar integralmente o Esther Towers, empreendimento da Eztec na região da Chucri Zaidan, na Zona Sul da capital paulista.

A locação, a maior da história do mercado imobiliário brasileiro, foi mediada pela CBRE e pela Binswanger Brazil. A primeira representou a Eztec, a segunda, o Itaú.

O contrato envolve as duas torres do complexo, com aproximadamente 91,4 mil metros quadrados de área locável, e prevê uma relação de longo prazo entre as empresas. O acordo terá prazo inicial de 10 anos, com possibilidade de renovação por mais cinco anos. A iniciativa envolve quase 10 mil posições de trabalho e faz parte do plano de investimentos em infraestrutura anunciado pelo banco, que se prepara para a evolução gradual do modelo híbrido.

Segundo comunicado divulgado pela Eztec, a operação deve gerar uma receita de locação de aproximadamente R$ 1,17 bilhão nos primeiros dez anos, considerando os valores atuais. O contrato terá reajuste anual pelo IPCA.

Para o mercado financeiro, a locação representa mais do que um novo inquilino para um edifício corporativo: ela muda a percepção sobre um ativo que ainda estava em fase de desenvolvimento e pode destravar valor para a Eztec.

O Esther Towers é formado por duas torres corporativas de padrão AAA, com entrega escalonada. Segundo o BTG Pactual, a primeira torre está prevista para ser concluída até o fim de 2026, enquanto a segunda deve ser entregue no primeiro semestre de 2027.

Com a locação integral, o contrato implica um aluguel médio de aproximadamente R$ 107 por metro quadrado ao mês, considerando a área total do empreendimento.

A operação reforça a presença do Itaú na região da Chucri Zaidan, um dos principais polos corporativos de São Paulo, que nos últimos anos passou a disputar espaço com regiões tradicionais como a Faria Lima. A avenida ganhou força com a expansão de edifícios corporativos de alto padrão e pela proximidade com importantes eixos de transporte, além da disponibilidade de terrenos maiores para novos empreendimentos.

O Itaú confirmou a celebração do contrato da integralidade do empreendimento. "O complexo passará a ser ocupado exclusivamente pelo banco, com início escalonado conforme a entrega de cada torre", disse em nota.

"A escolha do Esther Towers levou em conta critérios operacionais, de infraestrutura e de atendimento às necessidades futuras, com foco em ambientes que favoreçam a colaboração, a troca de conhecimento e a integração entre as equipes. O novo polo se soma às operações já existentes na cidade. Com a entrega das torres prevista para os próximos anos, o desenho de ocupação do complexo segue em construção e será divulgado oportunamente", ainda segundo a nota.

Bancos veem ganho de valor

A avaliação dos bancos de investimento converge em um ponto: o contrato com o Itaú aumenta a previsibilidade de receita da Eztec e reduz uma das principais incertezas em torno do Esther Towers.

Tanto BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) quanto Safra destacam que a locação integral do empreendimento representa um destravamento de valor para a incorporadora, principalmente pela geração de renda recorrente e pela possibilidade de uma monetização futura do ativo.

O BTG Pactual calcula que a receita anual estimada de aproximadamente R$ 117 milhões representa cerca de 20% da projeção de lucro da Eztec para 2027. O banco também avalia que uma eventual venda do empreendimento, considerando uma taxa de capitalização (cap rate) de 8%, poderia levar o ativo a um valor próximo de R$ 1,45 bilhão.

Já o Safra chega a uma estimativa semelhante para uma possível transação futura, calculando um valor potencial de aproximadamente R$ 1,4 bilhão para o Esther Towers. Considerando os custos totais estimados em cerca de R$ 1,2 bilhão, o banco projeta um lucro líquido de aproximadamente R$ 134 milhões com uma eventual venda.

A principal diferença entre as análises está na interpretação do impacto da notícia sobre a ação da Eztec.

Para o BTG, o contrato abre espaço para uma reavaliação positiva da companhia. O banco afirma que o projeto pode reduzir o múltiplo de negociação da empresa e estima que uma venda futura poderia gerar um dividendo extraordinário relevante aos acionistas.

O Safra, por outro lado, avalia que parte desse movimento já havia sido incorporada pelo mercado. Segundo o banco, a expectativa de locação do Esther Towers já havia contribuído para a valorização recente da ação da Eztec, reduzindo o impacto adicional do anúncio.

Ainda assim, o Safra estima que uma eventual venda do ativo em um horizonte conservador de dois anos poderia gerar um valor presente líquido de aproximadamente R$ 895 milhões, com potencial para representar um dividend yield extraordinário de cerca de 25%.

Enquanto o BTG mantém uma visão mais voltada ao potencial de reprecificação da companhia após a operação, o Safra destaca que o principal ganho agora está na maior visibilidade sobre a monetização futura do empreendimento.

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