Câncer de próstata: combinação experimental de medicamentos reduziu o crescimento de tumores em testes pré-clínicos (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 10 de setembro de 2026 às 13h54.
Pesquisadores da Universidade de Michigan identificaram uma possível estratégia contra o câncer de próstata resistente ao tratamento. A abordagem combina dois tipos de medicamentos para atingir alterações que permitem às células tumorais escapar da terapia hormonal.
Os testes mostraram que a combinação reduziu o crescimento de células cancerígenas e de tumores implantados em camundongos. Os resultados foram publicados na revista científica JCI Insight.
A estratégia mira um processo chamado transdiferenciação, no qual as células do câncer de próstata modificam suas características para sobreviver ao tratamento.
Grande parte dos tumores de próstata depende de andrógenos, como a testosterona, para crescer. Por isso, medicamentos que bloqueiam o receptor de androgênio são usados no tratamento de casos avançados.
Embora essas terapias possam funcionar inicialmente, os tumores podem desenvolver mecanismos de resistência. Uma dessas estratégias envolve mudanças na identidade das próprias células cancerígenas.
Durante a transdiferenciação, as células perdem características típicas das células glandulares da próstata. Ao mesmo tempo, passam a ativar programas associados a outros tipos celulares.
Estudos anteriores já haviam relacionado esse processo à perda dos genes TP53 e RB1. Ainda não estava claro, porém, como essas alterações provocavam uma mudança tão profunda nas células tumorais.
Para investigar o mecanismo, os pesquisadores analisaram diferentes linhagens de células de câncer de próstata. A equipe identificou duas vias relacionadas à mudança de identidade celular. Uma delas envolve proteínas chamadas BET, que participam da ativação de programas genéticos. A outra está relacionada às enzimas DNMT, envolvidas na regulação da atividade dos genes.
Os cientistas testaram medicamentos capazes de interferir nesses dois mecanismos. Os chamados inibidores de BET impediram parte dos programas associados à nova identidade das células.
Esses medicamentos, porém, não foram suficientes para eliminar as células cancerígenas. Por isso, os pesquisadores acrescentaram à estratégia os inibidores de DNMT. Essas substâncias podem reativar genes que foram silenciados. No caso estudado, o objetivo era reativar genes associados às características glandulares da próstata.
Quando os dois tipos de medicamentos foram utilizados juntos, o efeito sobre as células cancerígenas foi maior do que com cada tratamento isoladamente.
A equipe também testou a combinação em tumores de próstata implantados em camundongos. Nesses experimentos, o tratamento reduziu significativamente o crescimento tumoral. Os pesquisadores observaram ainda uma reversão de parte das alterações na atividade dos genes associadas à mudança de identidade celular.
A combinação foi bem tolerada pelos animais durante os experimentos. Os resultados, no entanto, ainda não demonstram que a estratégia seja eficaz ou segura em seres humanos.Diante dos resultados, os pesquisadores agora buscam descobrir quais genes são fundamentais para o efeito observado. A equipe também pretende encontrar biomarcadores capazes de indicar quais tumores poderiam responder à combinação.
Outra possibilidade investigada é utilizar a estratégia antes que a transdiferenciação aconteça. A ideia seria identificar tumores com maior risco de desenvolver esse mecanismo de resistência.
Os autores pretendem avaliar a combinação em ensaios clínicos para verificar seu potencial em pacientes com câncer de próstata transdiferenciado.
A equipe também considera investigar se mecanismos semelhantes estão presentes em outros tipos de câncer. Entre eles estão tumores de pulmão e pâncreas que também podem modificar a identidade de suas células.