Corrida espacial: Europa busca ampliar sua autonomia em um setor marcado pelo avanço dos Estados Unidos e da China (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 9 de setembro de 2026 às 20h12.
A Europa tenta reforçar sua posição na nova corrida espacial enquanto Estados Unidos e China ampliam investimentos em foguetes, satélites e exploração. O desafio reúne governos e empresas nesta semana em Paris, em meio a preocupações com a competitividade e a autonomia do continente.
Segundo informações da agência AFP, cerca de 120 países foram convidados para a cúpula realizada no Grand Palais. O encontro de dois dias é promovido pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
A disputa ocorre em um momento de forte expansão da economia espacial. Um estudo da PwC estima que o mercado global, que superou US$ 500 bilhões em 2025, poderá alcançar US$ 1,1 trilhão até 2035.
Em entrevista à AFP, especialistas afirmam que a Europa possui mão de obra altamente qualificada para permanecer competitiva, mas alertam para a necessidade de ampliar investimentos e coordenar melhor seus programas espaciais.
A consultoria Deloitte defende maior integração entre os países europeus, com encomendas públicas garantidas e redução da fragmentação dos projetos nacionais.
Para Mathieu Luinaud, especialista da PwC, o principal objetivo da cúpula é consolidar o papel europeu em um cenário dominado pelos dois maiores protagonistas da corrida espacial.
O astronauta francês Thomas Pesquet, embaixador do evento, também destacou que as tensões geopolíticas dificultam a cooperação internacional em um setor historicamente baseado em parcerias.
Um dos maiores obstáculos para a Europa é o atraso no desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, tecnologia que revolucionou os custos de lançamento nos últimos anos.
Enquanto os Estados Unidos, liderados pela SpaceX, pretendem alcançar mil lançamentos anuais até 2030, a Agência Espacial Europeia (ESA) avalia que o continente ainda poderá enfrentar escassez de lançadores nesse período.
A diferença aumentou recentemente quando a empresa chinesa LandSpace conseguiu recuperar com sucesso o primeiro estágio do foguete pesado Zhuque-3, tecnologia semelhante à utilizada pelo Falcon 9, da SpaceX.
Na Europa, a subsidiária da ArianeGroup, MaiaSpace, prevê realizar o primeiro voo de teste de seu foguete reutilizável apenas no segundo semestre de 2027, embora já tenha contratos assinados para futuras missões.
Outro tema em debate é a possibilidade de a Europa desenvolver capacidade própria para realizar voos espaciais tripulados, reduzindo a dependência de parceiros externos.
Segundo o diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher, o continente pode desenvolver esse tipo de missão a um custo considerado viável. A ArianeGroup também afirmou que o foguete Ariane 6 poderá ser adaptado para transportar astronautas.
Além dos lançamentos, cresce a preocupação com a infraestrutura de satélites, considerada estratégica tanto para comunicações civis quanto militares.
As constelações de satélites tornaram-se fundamentais para comunicações, navegação e operações militares. Na guerra da Ucrânia, por exemplo, a rede Starlink passou a desempenhar papel essencial nas comunicações em campo, reforçando a importância desse tipo de infraestrutura.
Para ampliar sua autonomia, a Europa aposta no projeto Iris, cuja entrada em operação está prevista para 2030. A constelação contará com 264 satélites em órbita baixa e outros 18 em órbita média, buscando oferecer maior independência estratégica em um setor cada vez mais relevante para defesa, segurança e comunicações.