Câncer: proteína MYC pode ajudar tumores a resistirem à quimioterapia ( RUSLANAS BARANAUSKAS/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)
Redatora
Publicado em 23 de maio de 2026 às 06h17.
Uma proteína conhecida por estimular o crescimento de tumores pode também ajudar células cancerígenas a sobreviverem à quimioterapia e à radioterapia. A descoberta foi feita por pesquisadores da Oregon Health & Science University e publicada na revista científica Genes & Development.
O estudo investigou a proteína MYC, considerada uma das mais associadas ao desenvolvimento de cânceres humanos. Segundo os cientistas, ela não apenas acelera o crescimento tumoral, mas também ajuda células cancerígenas a reparar danos no DNA causados pelos tratamentos.
Pesquisadores descobriram que uma versão modificada da proteína MYC consegue se deslocar diretamente até áreas do DNA danificadas dentro das células.
No local, ela ajuda a recrutar proteínas responsáveis pelo reparo genético, permitindo que células tumorais sobrevivam a situações que normalmente levariam à destruição dessas estruturas.
Segundo a pesquisadora Rosalie Sears, autora sênior do estudo, o MYC parece atuar não apenas no crescimento do câncer, mas também na capacidade de resistência dos tumores.
Tratamentos como quimioterapia e radioterapia funcionam justamente provocando danos graves ao DNA das células cancerígenas. No entanto, segundo os pesquisadores, tumores com alta atividade da proteína MYC parecem conseguir reparar esses danos com maior eficiência.
O efeito foi observado especialmente em casos de câncer de pâncreas, considerado um dos tipos mais agressivos e difíceis de tratar.
De acordo com a equipe, tumores com níveis elevados de MYC também apresentaram maior atividade de reparo do DNA e pior prognóstico clínico.
Durante décadas, pesquisadores consideraram extremamente difícil desenvolver tratamentos capazes de bloquear a proteína MYC sem afetar células saudáveis. Agora, a nova descoberta pode abrir caminho para terapias mais específicas, focadas justamente no papel da proteína no reparo do DNA.
Pesquisadores da OHSU já investigam um medicamento experimental chamado OMO-103 em pacientes com câncer pancreático avançado. O objetivo é entender se bloquear a atividade do MYC pode tornar tumores mais vulneráveis à quimioterapia e a outros tratamentos.
Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas afirmam que ainda serão necessários novos estudos para confirmar como o mecanismo funciona em diferentes tipos de câncer.