Comida ultraprocessada: estudo investigou a relação entre o consumo desses alimentos e o risco de câncer de próstata (Imagem gerada por IA/Exame)
Redatora
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 19h27.
Homens que consumiam mais alimentos ultraprocessados apresentaram risco até 30% maior de desenvolver câncer de próstata, segundo um estudo com mais de 17 mil participantes nos Estados Unidos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Florida Atlantic University e publicada em 7 de agosto no The American Journal of Medicine. Os pesquisadores analisaram dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) coletados entre 2003 e 2023.
A pesquisa incluiu 17.024 homens adultos. Cada participante forneceu dois registros alimentares de 24 horas, usados para calcular a proporção de calorias consumidas na forma de alimentos ultraprocessados.
Os voluntários foram divididos em quatro grupos, de acordo com a participação desses produtos na alimentação diária. No grupo de menor consumo, menos de 20% das calorias vinham de ultraprocessados. No maior, mais de 44%.
A classificação incluiu produtos como refrigerantes, cereais industrializados, salgadinhos e carnes processadas.
Em comparação com os homens que consumiam a menor quantidade de ultraprocessados, aqueles dos três grupos de maior consumo apresentaram 29% mais risco de câncer de próstata.
Entre os dois grupos com maior ingestão, o aumento estimado chegou a 30%. Quando os pesquisadores ajustaram os dados para fatores como idade, tabagismo, raça e etnia e situação de pobreza, a associação permaneceu.
Dessa forma, o estudo não encontrou, porém, uma relação estatisticamente significativa no grupo de maior consumo analisado isoladamente. Os autores apontam que o número menor de participantes nessa categoria pode ter influenciado o resultado.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados indicam uma relação estatística entre a alimentação e o risco da doença. Isso não significa que os ultraprocessados sejam responsáveis diretamente pelo surgimento dos tumores.
Outro limite é a forma como os casos foram identificados. O diagnóstico de câncer de próstata foi baseado em informações relatadas pelos próprios participantes, e não em uma confirmação clínica feita especificamente para o estudo.
Por isso, os autores defendem novas pesquisas, incluindo estudos observacionais de maior escala e ensaios clínicos, para investigar melhor essa possível relação.
Os mecanismos que poderiam ligar os ultraprocessados ao câncer de próstata ainda não estão definidos.
Estudos anteriores associaram o consumo elevado desses produtos a alterações no metabolismo, aumento da inflamação, estresse oxidativo e mudanças na microbiota intestinal. Esses fatores estão entre as possibilidades investigadas para explicar efeitos sobre a saúde.
No caso do câncer de próstata, porém, a pesquisa não estabeleceu qual desses mecanismos poderia estar envolvido.
O câncer de próstata está entre os tumores mais comuns entre homens. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, quase 1,5 milhão de homens foram diagnosticados com a doença no mundo em 2022. No mesmo ano, cerca de 400 mil pessoas morreram em decorrência do câncer de próstata.
Os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de estratégias de alimentação saudável, mas destacam que ainda são necessários estudos para determinar o papel específico dos ultraprocessados no desenvolvimento da doença.