Sensor quântico: técnica proposta busca identificar uma nova classe de ímãs (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redatora
Publicado em 4 de julho de 2026 às 05h47.
Uma minúscula imperfeição em um diamante pode se tornar a chave para investigar uma das descobertas mais intrigantes da física moderna. Pesquisadores propuseram uma nova técnica de sensoriamento quântico capaz de identificar os chamados altermagnetos, uma classe de materiais descoberta recentemente e considerada promissora para o desenvolvimento de eletrônicos mais rápidos e eficientes.
O estudo foi realizado por físicos da Universidade de Buffalo e publicado na revista Physical Review Letters. Segundo os autores, a abordagem utiliza defeitos atômicos presentes em diamantes para detectar sinais magnéticos extremamente sutis sem interferir significativamente no material analisado.
Durante décadas, os cientistas dividiram os materiais magnéticos em duas grandes categorias. A primeira é a dos ferromagnetos, presentes em objetos comuns como ímãs de geladeira e dispositivos eletrônicos. Nesses materiais, os spins dos elétrons apontam na mesma direção, gerando um campo magnético detectável.
A segunda categoria é a dos antiferromagnetos, nos quais os spins vizinhos apontam em direções opostas e cancelam o magnetismo global do material. Nos últimos anos, pesquisadores identificaram uma terceira classe: os altermagnetos.
Esses materiais apresentam uma combinação incomum de características. Embora seu magnetismo total também seja cancelado, como ocorre nos antiferromagnetos, eles exibem propriedades eletrônicas normalmente associadas aos ferromagnetos.
Segundo os cientistas, essa combinação pode permitir dispositivos mais rápidos, menores e energeticamente mais eficientes.
A técnica proposta utiliza um defeito microscópico presente em alguns diamantes. Esse defeito surge quando um átomo de carbono é substituído por um átomo de nitrogênio e um elemento químico vizinho fica ausente na estrutura cristalina.
Apesar de parecer uma imperfeição, essa região funciona como um sensor quântico extremamente sensível a campos magnéticos.
A ideia dos pesquisadores é posicionar essa falha próxima a um material candidato a altermagneto e observar o comportamento do seu spin magnético. Se o defeito relaxar mais rapidamente em determinadas direções do que em outras, isso poderá indicar a presença dos padrões magnéticos característicos dos altermagnetos.
Os altermagnetos foram propostos teoricamente em 2019 após pesquisadores observarem comportamentos que não se encaixavam nos modelos tradicionais de magnetismo. Desde então, estudos sugerem que mais de 200 materiais podem pertencer a essa nova categoria, número superior ao total de materiais ferromagnéticos conhecidos atualmente.
O interesse se deve ao potencial tecnológico desses compostos. Enquanto os ferromagnetos são amplamente utilizados para armazenar informações, os antiferromagnetos oferecem velocidades de operação mais elevadas.
Os altermagnetos poderiam reunir vantagens dos dois sistemas, permitindo avanços importantes em áreas como espintrônica, computação e armazenamento de dados.
Segundo os autores, uma das vantagens da nova abordagem é seu caráter pouco invasivo. Muitos métodos atuais exigem interações que podem alterar temporariamente as propriedades do material estudado. O sensor baseado em diamante permitiria observar os sinais magnéticos de forma mais delicada, reduzindo esse problema.
Os pesquisadores ressaltam que o método ainda existe apenas como proposta teórica e precisará ser validado experimentalmente. Mesmo assim, eles acreditam que a técnica pode acelerar a identificação de novos altermagnetos e contribuir para futuras aplicações tecnológicas.
Caso o potencial desses materiais seja confirmado, eles poderão desempenhar papel importante no desenvolvimento de dispositivos eletrônicos que consumam menos energia, operem com maior velocidade e permitam níveis mais avançados de miniaturização.