Computação quântica: pesquisadores criaram um novo tipo de estado quântico com potencial para reduzir erros em sistemas avançados (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 20 de junho de 2026 às 07h35.
Físicos da Universidade de Oxford criaram uma nova versão do famoso gato de Schrödinger, um dos conceitos mais conhecidos da mecânica quântica. O avanço permitiu desenvolver uma nova classe de estados de superposição mais complexos do que os demonstrados anteriormente e pode contribuir para a criação de computadores mais resistentes a erros.
Os resultados foram publicados na revista científica Physical Review X e ampliam as possibilidades de manipulação de sistemas subatômicos, além de oferecer novas ferramentas para investigar os fenômenos que moldam a matéria e a energia.
O gato de Schrödinger é um experimento mental proposto em 1935 pelo físico austríaco Erwin Schrödinger para ilustrar um dos aspectos mais intrigantes da mecânica quântica.
Na proposta original, um gato hipotético estaria simultaneamente vivo e morto até que uma observação fosse realizada. Embora seja apenas uma metáfora, o exemplo representa o fenômeno da superposição, no qual uma partícula pode existir em múltiplos estados ao mesmo tempo.
Atualmente, cientistas conseguem criar superposições em laboratório usando luz, átomos e outras partículas. Esse princípio está na base de tecnologias como computadores quânticos, sensores ultraprecisos e relógios atômicos.
Tradicionalmente, estados semelhantes ao gato de Schrödinger são construídos a partir de componentes considerados os mais próximos possíveis do comportamento clássico.
Dessa vez, a equipe de Oxford adotou uma estratégia diferente. Em vez de utilizar esses componentes convencionais, os pesquisadores criaram superposições formadas por estados que já apresentavam propriedades altamente não clássicas.
Segundo os autores, a técnica permitiu produzir uma família inteiramente nova de estados com características que ainda eram pouco exploradas experimentalmente.
Para produzir essas estruturas, os pesquisadores trabalharam com um único íon aprisionado. Nesse sistema, o estado interno do íon funciona como um qubit, unidade básica da computação quântica, enquanto seu movimento atua como um oscilador capaz de ocupar diversos níveis de energia.
A equipe desenvolveu um método para entrelaçar diferentes estados de movimento e, posteriormente, realizar medições que geram superposições extremamente complexas.
O procedimento também permitiu controlar características como tamanho, orientação e separação dos componentes que formam cada configuração.
Após criar os novos estados, os cientistas realizaram medições detalhadas para reconstruir suas propriedades.
Os resultados revelaram padrões de interferência e regiões de negatividade de Wigner, consideradas algumas das principais evidências de fenômenos que não podem ser explicados pela física clássica.
Essas observações confirmaram que os estados produzidos apresentavam propriedades genuinamente quânticas e comportamento distinto do observado em sistemas convencionais.
Uma das aplicações mais promissoras está na computação quântica. Atualmente, esses sistemas enfrentam um grande desafio: os qubits são extremamente sensíveis a perturbações externas, o que pode gerar falhas durante os cálculos.
Segundo os pesquisadores, os novos estados podem oferecer formas mais eficientes de armazenar e processar informações, além de facilitar estratégias de correção de erros. Isso poderia tornar futuras máquinas mais estáveis e capazes de operar em maior escala.
Além das aplicações tecnológicas, o trabalho oferece uma nova ferramenta para investigar uma das questões mais fundamentais da física: como o comportamento observado em partículas dá origem ao mundo macroscópico percebido no cotidiano.
Ao criar e controlar estados cada vez mais complexos, os cientistas podem testar os limites das teorias atuais e explorar com mais profundidade a transição entre os fenômenos microscópicos e a realidade clássica.
Os pesquisadores afirmam que essa nova classe de estados ainda está no início de sua exploração e poderá revelar tanto aplicações práticas quanto novos conhecimentos sobre os princípios que governam a matéria, a energia e o funcionamento do universo.