Ciência

O efeito inesperado de viver isolado com as mesmas pessoas

Pesquisa acompanhou equipe isolada por dez meses na Antártida para entender impactos sociais em ambientes extremos

Isolamento: cientistas analisaram conflitos, desconfiança e formação de subgrupos em missão extrema (Freepik)

Isolamento: cientistas analisaram conflitos, desconfiança e formação de subgrupos em missão extrema (Freepik)

Publicado em 30 de maio de 2026 às 07h01.

Passar meses isolado com o mesmo grupo de pessoas pode gerar mais tensão do que apoio emocional, segundo um estudo conduzido por pesquisadores da University of Zurich. A análise mostrou que, em ambientes extremos, o contato constante entre poucas pessoas pode aumentar conflitos, desconfiança e desgaste psicológico ao longo do tempo.

A pesquisa acompanhou uma equipe que permaneceu durante dez meses na Concordia Station, considerada um dos locais mais isolados do planeta. Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

O que os cientistas descobriram?

Durante a estadia na Antártida, os participantes responderam a questionários e utilizaram sensores capazes de registrar quanto tempo cada integrante permanecia próximo dos demais.

Segundo os pesquisadores, as pessoas em contato mais frequente com outros membros da equipe foram justamente as que relataram maior número de conflitos, aumento da desconfiança e percepção de pior desempenho coletivo.

A análise também mostrou que, ao longo da missão, os participantes passaram a formar subgrupos com base em fatores como idioma, nacionalidade e afinidade pessoal.

Para os cientistas, o resultado indica que convivência intensa e prolongada nem sempre fortalece relações sociais em situações extremas.

Pesquisa pode ajudar futuras missões a Marte

Os pesquisadores afirmam que entender essas dinâmicas pode ser essencial para futuras missões espaciais de longa duração, incluindo possíveis viagens humanas a Marte.

Segundo a equipe, ambientes isolados exigem convivência contínua entre poucas pessoas por meses ou até anos, o que pode aumentar o risco de desgaste emocional e fragmentação social.

Além da exploração espacial, os resultados também podem ajudar no planejamento de equipes que trabalham em plataformas de petróleo, submarinos, bases polares e outros ambientes remotos.

Solidão não foi o único problema

Segundo os autores, o estudo mostra que o apoio emocional dentro de grupos isolados continua sendo importante, mas o excesso de convivência também pode gerar pressão psicológica.

Com isso, os pesquisadores destacam que isolamento extremo não envolve apenas solidão, mas também o desafio de lidar continuamente com as mesmas pessoas em espaços limitados e sob condições de estresse.

Para a equipe, compreender esses fatores pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para reduzir conflitos e melhorar o bem-estar psicológico em missões de longa duração.

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