Crianças: estudo avaliou desenvolvimento cognitivo aos 1, 2 e 3 anos de idade (Freepik)
Redatora
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 05h35.
A redução da poluição do ar foi associada a melhores resultados de desenvolvimento cognitivo em crianças de Nova York, segundo um estudo da Universidade Columbia. A pesquisa acompanhou mais de 1.100 crianças e comparou mudanças na exposição pré-natal a poluentes com avaliações realizadas nos primeiros anos de vida.
O trabalho, publicado na revista científica Environmental Health, analisou famílias de comunidades do norte de Manhattan e do sul do Bronx ao longo de mais de duas décadas. Ao todo, 1.109 crianças foram avaliadas pelo menos uma vez, aos 1, 2 ou 3 anos de idade.
Os pesquisadores analisaram a exposição durante a gestação a diferentes poluentes atmosféricos e acompanharam como os resultados dos testes cognitivos mudaram ao longo dos anos. A comparação mostrou diferenças conforme os níveis de exposição diminuíram.
A equipe analisou a exposição pré-natal a três poluentes. Foram considerados o material particulado fino (PM2,5), o dióxido de nitrogênio (NO₂) e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs).
O desenvolvimento infantil foi avaliado por meio das Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil. Os testes medem diferentes aspectos do desenvolvimento nos primeiros anos de vida.
Entre as habilidades avaliadas estavam processamento cognitivo, memória, percepção sensorial, resolução de problemas e comunicação. As avaliações incluíam atividades como combinar formas e empilhar blocos, além de tarefas relacionadas à fala e à compreensão da linguagem.
Estudos anteriores realizados pelo mesmo grupo já haviam identificado associações entre a exposição à poluição do ar durante a gravidez e efeitos no neurodesenvolvimento infantil. Desta vez, os pesquisadores avaliaram se a redução da exposição aos poluentes ao longo dos anos também estava associada a mudanças nos resultados cognitivos das crianças.
Os níveis dos três poluentes analisados diminuíram durante o período acompanhado pelos pesquisadores. Entre 1998 e 2016, a concentração média anual de PM2,5 caiu 51%. No mesmo intervalo, a concentração de dióxido de nitrogênio diminuiu 48%.
A redução também ocorreu na exposição aos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Entre 1998 e 2020, os níveis de HAPs caíram 66%.
Em trabalhos anteriores, a equipe havia relacionado a queda da exposição a um conjunto de políticas de qualidade do ar e clima implementadas em Nova York ao longo do período. Entre as mudanças ocorridas na cidade estavam medidas destinadas a diminuir emissões relacionadas ao transporte e ao consumo de combustíveis em edifícios.
Os pesquisadores ressaltam que não é possível atribuir a redução da poluição a uma única política. Os dados indicam um efeito acumulado das diferentes medidas implementadas ao longo dos anos.
Durante o período de redução da exposição aos poluentes, as pontuações de desenvolvimento mental das crianças apresentaram uma tendência de aumento. Os pesquisadores encontraram associações inversas entre os três poluentes e as pontuações cognitivas aos 1, 2 e 3 anos. Isso significa que exposições maiores durante a gestação estavam associadas a resultados mais baixos nas avaliações.
Aos 3 anos, a pontuação de desenvolvimento mental aumentou, em média, 1,396 ponto por ano no conjunto analisado. Aos 2 anos, o aumento médio foi de 0,853 ponto por ano. Aos 1 ano, foi de 0,607 ponto por ano.As associações mais claras aos 3 anos apareceram no primeiro e maior grupo analisado, formado por mais de 700 participantes recrutados entre 1998 e 2006. Esse grupo também apresentou os níveis mais elevados de exposição e as maiores reduções nas concentrações dos poluentes durante o período estudado.
No grupo acompanhado posteriormente, entre 2008 e 2016, os níveis de poluição já eram menores. Nesse conjunto, a associação entre PM2,5 e desenvolvimento cognitivo foi mais fraca, embora permanecesse na mesma direção.
Os pesquisadores levaram em conta outras mudanças que ocorreram durante as décadas analisadas e que poderiam influenciar o desenvolvimento cognitivo infantil. Uma delas foi a exposição à fumaça do cigarro dentro de casa. A proporção de crianças que viviam com fumantes caiu de 34% para 18% durante o período.
Também houve uma mudança na escolaridade das mães. A proporção daquelas que haviam concluído o ensino médio aumentou nove pontos percentuais. Mesmo considerando esses fatores, a associação entre melhora na qualidade do ar e resultados mais altos nas avaliações infantis permaneceu.
Os autores, porém, não afirmam que os níveis atuais de poluição sejam seguros para todas as crianças. Segundo Frederica Perera, professora da Universidade Columbia e uma das pesquisadoras envolvidas no trabalho, os resultados reforçam a importância de ampliar estudos sobre os efeitos das políticas de qualidade do ar no desenvolvimento infantil.