Cigarro: fumaça produzida pela queima do tabaco e exalada pelo fumante expõe pessoas próximas a compostos tóxicos (Freepik)
Redatora
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 06h05.
Mais de 2,7 bilhões de pessoas foram expostas ao fumo passivo em 2023, segundo um estudo publicado na terça-feira, 8, na The Lancet Public Health. A exposição foi associada a 1,66 milhão de mortes prematuras no mundo no mesmo ano.
Entre as pessoas expostas estavam 767 milhões de crianças de 0 a 14 anos. Para essa faixa etária, os pesquisadores estimaram 5,2 milhões de infecções do trato respiratório relacionadas ao contato com a fumaça.
O estudo analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023. Os pesquisadores combinaram informações de estudos científicos e pesquisas populacionais para estimar a exposição ao tabagismo passivo e seus impactos na saúde.
O tabaco permanece entre as principais causas de doenças no mundo. O estudo destaca que pessoas que não fumam também podem ser afetadas quando convivem com a fumaça de produtos de tabaco.
A exposição ocorre por diferentes fontes. Ela inclui tanto a fumaça produzida pela queima do cigarro quanto aquela exalada diretamente pelo fumante.
Segundo os pesquisadores, a chamada fumaça secundária pode apresentar concentrações mais elevadas de determinados compostos tóxicos e cancerígenos do que a fumaça inalada pelo fumante.
O estudo ressalta que não existe um nível seguro de exposição ao fumo passivo. Os efeitos podem atingir diferentes órgãos e estão relacionados a doenças que também afetam pessoas que fumam diretamente.Entre os impactos estimados pelos pesquisadores, a doença cardíaca isquêmica foi a principal causa relacionada às mortes atribuídas ao fumo passivo.
A condição ocorre quando o músculo cardíaco não recebe oxigênio suficiente. A exposição à fumaça do tabaco pode contribuir para alterações cardiovasculares e aumentar o risco de doenças cardíacas.
Além das mortes, o estudo também calculou o impacto do fumo passivo em termos de incapacidades e doenças prematuras.
A exposição na infância preocupa especialmente por ocorrer durante uma fase de desenvolvimento do organismo. Em 2023, cerca de 767 milhões de crianças estavam expostas à fumaça de segunda mão.
Os pesquisadores estimaram que esse contato provocou 5,2 milhões de infecções respiratórias entre crianças naquele ano.
A exposição infantil pode ocorrer dentro de casa ou em outros ambientes frequentados por familiares que fumam. Por isso, medidas de controle do tabaco também são consideradas estratégias de proteção à saúde das crianças.
Embora a proporção de pessoas que fumam tenha diminuído globalmente desde 1990, o número absoluto de pessoas expostas ao fumo passivo permaneceu relativamente estável.
Segundo o estudo, esse cenário está relacionado principalmente ao crescimento da população e ao aumento da exposição em algumas regiões, especialmente na África e no Oriente Médio.
Os pesquisadores também destacam que as mulheres podem ser afetadas de maneira desproporcional pelo fumo passivo, sobretudo em locais onde o tabagismo feminino é menos frequente.
Diante dos resultados, os pesquisadores defendem políticas mais rigorosas de controle do tabaco em locais públicos e residências.
A proposta é reduzir o contato involuntário com a fumaça, com atenção especial à proteção de mulheres e crianças.Para os autores, reconhecer o fumo passivo como um importante fator de risco pode ajudar a ampliar as medidas de prevenção e reduzir doenças relacionadas ao tabaco.