Infância: estudo investigou como memórias de críticas podem influenciar o medo do fracasso na vida adulta (Freepik)
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Publicado em 31 de agosto de 2026 às 17h36.
Críticas frequentes, rejeição ou experiências negativas vividas na infância podem influenciar a forma como uma pessoa lida com erros e desafios ao longo da vida. Um novo estudo indica, porém, que essas lembranças não são necessariamente permanentes do ponto de vista emocional. Técnicas de psicoterapia baseadas em imaginação conseguiram reduzir o medo do fracasso e outras emoções negativas por até seis meses após o tratamento.
Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Psychology por pesquisadores da Universidade SWPS e do Instituto Nencki de Biologia Experimental, na Polônia. O objetivo do estudo foi avaliar se intervenções focadas em memórias autobiográficas poderiam modificar a forma como adultos reagem emocionalmente a experiências críticas vividas durante a infância.
O ensaio clínico randomizado incluiu 180 jovens adultos, com idades entre 18 e 35 anos, que apresentavam medo do fracasso. Durante duas semanas, os voluntários participaram de quatro sessões terapêuticas voltadas para lembranças de críticas recebidas na infância.
Para isso, os participantes foram divididos em três grupos. O primeiro utilizou uma técnica de exposição por imagens, na qual revivia mentalmente situações que despertavam medo ou ansiedade.
O segundo realizou a chamada reescrita de imagens (Imagery Rescripting), estratégia em que o participante imaginava novamente a experiência dolorosa, mas alterava seu desfecho. Nesse exercício, um "defensor", como um terapeuta, surgia para interromper a crítica, confrontar quem a fazia e oferecer proteção e apoio à criança.
O terceiro grupo realizou o mesmo procedimento, mas com um intervalo de dez minutos antes da reescrita da memória, estratégia criada para potencialmente fortalecer a reconsolidação da lembrança.
Além de questionários e entrevistas, os pesquisadores monitoraram respostas fisiológicas relacionadas ao estresse. Novas avaliações foram realizadas três e seis meses depois.
Independentemente da técnica utilizada, os participantes apresentaram uma redução significativa e duradoura do medo do fracasso.Também houve diminuição de emoções como culpa, tristeza e ansiedade associadas às lembranças da infância.
Os pesquisadores observaram ainda que as reações fisiológicas provocadas por essas memórias ficaram menos intensas, indicando que recordar essas experiências deixou de desencadear o mesmo nível de estresse observado antes da intervenção.
Os efeitos permaneceram presentes durante as avaliações realizadas três e seis meses após o tratamento.
Segundo os pesquisadores, a técnica de reescrita de imagens parece funcionar melhor quando cria uma situação inesperada durante a lembrança. Em vez de reviver a crítica exatamente como aconteceu, o participante imagina uma resposta diferente, marcada por acolhimento, proteção ou enfrentamento da situação.
Esse contraste entre o que o cérebro espera e o novo desfecho gera o chamado erro de previsão, mecanismo que pode tornar a memória mais flexível e favorecer a substituição de respostas emocionais antigas por novas interpretações.