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Estudo identifica 8 aditivos comuns associados à hipertensão; veja quais

Estudo com mais de 112 mil pessoas encontrou associação entre maior consumo de determinados conservantes e risco elevado de pressão alta

Aditivos alimentares: estudo associou maior consumo de determinados conservantes a maior risco de hipertensão (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Aditivos alimentares: estudo associou maior consumo de determinados conservantes a maior risco de hipertensão (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 26 de setembro de 2026 às 04h01.

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O consumo elevado de alguns aditivos alimentares usados como conservantes foi associado a um risco maior de hipertensão e doenças cardiovasculares. Em um estudo com mais de 112 mil pessoas, pesquisadores identificaram oito conservantes relacionados a uma maior ocorrência de pressão alta.

De acordo com um estudo publicado no European Heart Journal, entre eles estão substâncias comuns na indústria de alimentos, como nitrito de sódio, ácido cítrico e ácido ascórbico. Este último também apresentou associação específica com doenças cardiovasculares.

Quais são os 8 aditivos associados à hipertensão?

Os pesquisadores analisaram 17 dos conservantes mais consumidos pelos participantes. Oito apresentaram associação com maior risco de hipertensão:

  • sorbato de potássio (E202);
  • metabissulfito de potássio (E224);
  • nitrito de sódio (E250);
  • ácido ascórbico (E300);
  • ascorbato de sódio (E301);
  • eritorbato de sódio (E316);
  • ácido cítrico (E330);
  • extratos de alecrim (E392).

Entre eles, o ácido ascórbico (E300) também foi especificamente associado a doenças cardiovasculares.

Os conservantes são adicionados aos alimentos por diferentes motivos. Eles podem impedir o crescimento de bactérias e fungos, retardar a deterioração ou ajudar a preservar características como cor, sabor e frescor.

Maior consumo foi associado a risco até 29% maior

A pesquisa também dividiu os conservantes de acordo com a função que desempenham nos alimentos. Participantes que consumiam as maiores quantidades de conservantes não antioxidantes apresentaram risco 29% maior de hipertensão em comparação com aqueles que consumiam as menores quantidades.

Nesse grupo, o maior consumo também esteve associado a um risco 16% maior de doenças cardiovasculares, incluindo infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e angina. Já entre os participantes com maior consumo de conservantes antioxidantes, o risco de hipertensão foi 22% maior.

Os dois grupos atuam de formas diferentes. Conservantes não antioxidantes são utilizados principalmente para impedir o crescimento de microrganismos, como bactérias e fungos. Os antioxidantes ajudam a retardar a oxidação, processo químico que pode alterar a cor e o sabor dos alimentos ou fazer com que fiquem rançosos.

Como o estudo foi feito

A análise utilizou dados de 112.395 voluntários residentes na França que participavam do NutriNet-Santé, projeto dedicado a investigar as relações entre alimentação e saúde.

A cada seis meses, os participantes registravam tudo o que haviam consumido durante três dias. Os pesquisadores analisaram os alimentos e bebidas relatados para estimar a exposição aos diferentes conservantes.

Os voluntários foram acompanhados por uma média de sete a oito anos. Nesse período, os cientistas verificaram a ocorrência de hipertensão e doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e angina.

O consumo de conservantes era disseminado: durante os dois primeiros anos de acompanhamento, 99,5% dos participantes ingeriram pelo menos um desses aditivos.

Associação não significa que aditivos causam as doenças

Os próprios pesquisadores destacam uma limitação importante: por se tratar de um estudo observacional, os resultados mostram associações estatísticas, mas não permitem concluir que os conservantes sejam responsáveis diretamente pelo aumento do risco.

A equipe considerou outros fatores que poderiam influenciar a ocorrência de doenças cardiovasculares, mas esse tipo de estudo não consegue estabelecer uma relação de causa e efeito.

Pesquisas experimentais anteriores levantam hipóteses sobre possíveis mecanismos envolvidos. Entre eles estão o estresse oxidativo e alterações no funcionamento do pâncreas.

O estresse oxidativo ocorre quando moléculas reativas se acumulam em quantidade superior à capacidade do organismo de neutralizá-las, processo que pode provocar danos a células e tecidos.

Os pesquisadores agora estudam como aditivos alimentares e alimentos ultraprocessados podem estar relacionados a alterações na inflamação, no estresse oxidativo, no perfil metabólico do sangue e na microbiota intestinal.

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